sábado, 22 de janeiro de 2011

Bolsa-vida? Por que não?

                                        Dirceu Ayres
Esta na moda. (moda só do Brasil), Hoje em dia existem bolsas para todos os tipos e gostos. Desde a Louis Vuitton, as famosas marcas da Boutique Daslu, também têm marcas da Boutique Daspú para os mais abastados e para os não tão abastados, agora a bolsa-esmola, aos mais 'prejudicados'. Bolsa- gás, bolsa-ecologicamente-correta, bolsa disso, bolsa daquilo. É uma febre. O Governo do Rio está entrando na moda e lançou a sua própria grife: Bolsa para o Pivete. Segundo a assessoria de imprensa do governador Serginho, (Sergio Cabral) problema de menores desajustados é (essa é grande novidade) basicamente familiar. Então, porque não dar uma grana para ver se os pais e mães desses lares não enchem mais ainda a cara de cachaça, dormem, acordam para fazer passeatas junto com os sem terras, sem teto, sem tudo fazem mais e mais meninos e param de pegar no pé do pobre menor infrator?. Vamos e venhamos. Esses menores infratores precisam de mais um tempinho para matar, um pouquinho mais para roubar, um pouquinho mais também para o tráfico. Então à coisa fica assim: o pivete rouba, mata, trafica, consome droga de todo tipo e a família ganha uma indenização pelo fato. (auxilio reclusão, quase dois salários mínimos) Nada mais justo, uma vez que hoje o politicamente correto é ser defensor demagógico das minorias oprimidas e deprimidas, pois é triste ser coitadinho por causa da síndrome de abstinência. Eu se fosse carioca, faria um protesto. Quero uma bolsa-vida. A cada bala perdida que mata alguém, a população receberia um desconto no imposto de renda, ou no IPTU, levando-se em consideração as proporcionalidades, tais como idade do assassinado, a idade do assassino (porque não), a perda de vida produtiva, dor e pesar das famílias atingidas (com valores expressos em orações, dinheiro, missas, etc.)... Afinal, o menor infrator pode pegar cadeia e a família, como fica? Você, amiguinho que mora no Rio de Janeiro, estará financiando essa bandalheira toda, não é?. Serginho, Serginho... Que tal um bolsa-vergonha-na-cara?. Essa tal bolsa se bem colocada ajudaria a muitos personagens, principalmente da Política aqui no Brasil. Pois essa tal de vergonha na cara está sendo um, bicho completamente desconhecido, que coisa!. Agora imaginem se alguém tem a formidável idéia de criar uma bolsa para se ter raparigas... Que bolsa!!!Com certeza eu iria tentar cadastrar o meu nome afinal todos precisariam de uma bolsa Rapariga. Que felicidade. Aviso aos puritanos: Não podem reclamar, pois todos sabem que existem as Raparigas e todas essas bolsas e até vales, como seja: Vale refeição, vale transporte, vele gás, etc., Então não temos muito do que reclamar com relação às tais bolsas. (e as Raparigas de Brasília?) que Ainda funciona melhor do que os mensaleiros e as Sanguessugas porque esses quando metem a mão é para lascar a tábua do meio, tira tudo que pode e se esquece que tirou. As bolsas disso e bolsa daquilo pelo menos sabem para onde devem ir, não sei se chegam por lá, mas com certeza elas saem do tesouro da Nação e “viajam”. Aonde elas irão, Deus sabe, embora chegasse a ajudar algumas famílias mais pobres esporadicamente, aquelas que costumam dizer que são famílias que estão abaixo ou debaixo da linha da pobreza, estão na miséria, são pedintes etc. antes que venham, a morrer.

OS ASSASSINOS

                                              Dirceu Ayres
O Brasil, como vocês todos sabem, é composto só de gente super inteligente, principalmente em se tratando de Advogados, Bispos, Padres, Juristas e lógico...Políticos. A Inglaterra, o Reino Unido que todos já sabem o quanto essa Inglaterra é estúpida e Idiota. No Brasil, conforme a OAB e a CNBB que se reuniram uns meses atrás para debater o que fazer contra o crime praticado por menores e chegaram ao consenso de que não há muito a fazer: o problema, segundo se entende usando logicamente “minha super inteligência”, pois sou brasileiro. Descobri que é nosso. Verdade, o problema é nosso. Os padres e os advogados querem que fiquemos calmos. Nada de decidir sob pressão emocional. Já na Inglaterra, um país tão idiota, um sujeito chamado Roberto Malasi matou uma mulher quando era menor de idade. Tinha 17 anos. Num país sábio como o nosso Brasil, ficaria três anos internado e seria posto na rua aos 20 anos para poder matar outra vez. Naquele país de imbecis, vejam só, ele ficou preso até a maioridade e foi julgado. Pegou prisão perpétua. A mulher assassinada estava com um bebê no colo. Os ingleses, cretinos que são, consideraram isso inaceitável. O assassino tinha três comparsas, todos menores de 18: tinham 15, 16 e 17. Ficarão internados, no mínimo, 8 anos. Vão para a rua depois? Não! Nada disso! Serão avaliados por uma junta de Médicos competentes. A depender do que acontecer, podem pegar pena de até 30 anos. No país, como já informei aqui, uma pessoa pode ser responsabilizada por seus crimes a partir dos 10 anos. Até os 18, cumpre pena em lugar próprio para menores. Depois, é cadeia de gente grande. Mas sabem como é… Querem acabar com a ilha da rainha em dois tempos? Mandem pra lá os grandes Advogados, Juristas e Padres do Brasil, juntando a tão nobre carga, os Políticos e o Presidente da CNBB assim como o presidente da OAB. Eles sabem o que fazer com o tipo Malasi. Que absurdo a lei, os homens, os Políticos e principalmente os Juristas no Brasil!, O terror que os marginais estão plantando ou implementando e dizendo que foi o menor de idade, pois os menores praticamente não têm castigo, e são mestres em promover distúrbios e balburdias também e ainda tem muitas pessoas da sociedade que ainda não tiveram algum ente querido seqüestrado, que se ocupa em defender esses desastrados marginais, que desgraça. Se um dia acontecer (amém) de o filho ou algum parente de uma alta autoridade, político, Bispo ou mesmo grande Industrial ser seqüestrado ou morto pelos “meninos” do morro ou das favelas, sempre me pergunto...Será que eles mudarão de idéia?. Talvez não. No máximo eles mandariam para os idiotas dos Ingleses providenciarem a punição devida, porque lá na terra dos idiotas Ingleses tem e se faz Justiça e o tal do menor iria pegar uns quarenta anos de prisão ou mesmo prisão perpétua. Esses Ingleses!!!. As coisas aqui no Brasil nem sempre são como nós queremos, talvez porque nos precisamos ser um pouco idiotas como os Ingleses. Quem sabe, talvez venhamos a ter até justiça por aqui também e esses menores quando cometerem crime com certeza será castigado. Mas castigados somente até os dezoito anos (18) Porque prisão mesmo só depois dos dezoito, aí sim terão prisão perpétua. Só quando formos mais idiotas viu bichinho?.

A SÊDE

                                       Dirceu Ayres
O viajante prosseguia sua caminhada em busca da cidadezinha onde efetuaria seus trabalhos com as encomendas que iria mandar da Fábrica quando ele entregasse os pedidos. Estava o viajante morrendo de sede, perdido no meio da estrada, com um sol escaldante queimando sua cabeça, seu carro havia quebrado e ele havia abandonado, quando de repente viu uma casinha de taipa. Imediatamente chamou a porta da casa, bateu palmas e logo apareceu um garotinho mulato, barrigudo e de olhos remelentos.

- Você poderia me arranjar um copo com água?, Preciso beber água ou algum líquido urgente, pois minha garganta está queimando. Falou - o viajante.
- Poderia sim, senhor! Respondeu o garoto muito solícito. Então, o menino desaparece para dentro da casa e logo volta com uma cuia preta com água que entrega ao viajante. O viajante olha meio enojado para a cuia preta, fecha os olhos e o nariz, bebe tudo num gole lento, sorvendo o líquido que naquele momento era um milagre.
- O senhor achou muito ruim? – perguntou o menino. - não, por quê? Perguntou o homem que já estava ficando desconfiado do jeito do menino.
- É que tinha um rato morto dentro do pote! E eu não pude tirar. - Seu filho de uma égua! - esbravejou o viajante muito furioso. - Na hora que eu te pegar, quebro essa desgraçada cuia na sua cabeça!
- Faz isso não, moço, que essa cuia é da minha mãe mijar dentro! E se o senhor não gostou da água, tudo bem, mas não quebre a cuia não, porque pode ser que o meu Pai não goste e vá atrás do senhor e corte o seu “peru” Pois é o que ele sempre faz quando está com raiva. O viajante procurava se controlar respirava devagarzinho e procurava um lugar com um pouco de sombra para arrumar os pensamentos. De repente uma mão magra foi posta em seu ombro, - senhor está se sentindo bem? O viajante se virou e viu uma velha senhora bem magra tão magra que era possível ver seus ossos através de seu transparente vestido de chita. Tinha um seio para baixo o outro para cima, grandes e moles, completamente desdentada, cabelos desgrenhados cheirando a bebida barata e ruim, um pedaço de cigarro com palha de milho jazia no canto da boca e para completar o quadro, duas pernas finas e brancas com muita poeira cobrindo os ossos. Da boca, saia uma baba gosmenta e constante junto com a fumaça do cigarro. O viajante como se fora mordido por um cachorro doido, disparou a correr pela estrada e não parou até chegar à cidade que prá sua sorte era a mesma cidade que ele vinha procurando.

A periferia

                                       Dirceu Ayres
Para começar, eu gostaria de dizer que se uma autoridade lesse meus escritos eu ficaria em maus lençóis. Pense, se eu for chamado para falar a respeito e ele dissesse:
- Defina "Periferia. Bom, ele mandou, mas, vou consultar o Aurélio. Lá diz que periferia é: Urb. Bras. “Numa cidade, a região mais afastada do centro urbano.” Logo, é um vocábulo geográfico e não econômico social. Então, a Barra e o Francês com seus mega condomínios e Vilas luxuosas com suas mansões são considerados periferia. Conclui-se que “periferia” é antes de tudo um termo incorreto que algum bastardo bolou para se referir às localidades pobres. O culto é à pobreza e não à periferia. Isso esclarecido, o jogo é assim. Essa apologia estabelecida pelo estado e pela mídia encerra um aspecto cruel e perverso. A lógica é simples. Já que o país não cresce e as pessoas não melhoram de vida, eles tratam de convencê-las de que isso não é tão ruim. A coisa funciona assim: já que não se pode tirá-los da meleca vamos convencê-los de que é digno estar na meleca. E o pior: dotá-los de orgulho de estarem na miséria. É isso aí: ser pobre é legal, diria qualquer Político Municipal, estadual e ou federal. Quem sabe assim ficam quietinhos, já que o Estado não pode cumprir com sua obrigação de fazer o País evoluir. Até aí nada de novo. Lavagem cerebral é uma coisa usual neste país. O problema é que esta tática comporta efeitos colaterais indesejáveis. O primeiro é o aumento da auto-estima, uma coisa até positiva se não ocorresse um efeito paradoxal. O que está acontecendo, na prática, não é só o contentamento resignado com o “status quo” de não melhorar de vida. Com o orgulho da pobreza, o moral dos “Manos” está inflado de tal forma que, ao invés de proporcionar dignidade, provoca, por ignorância e maldade, uma libertinagem que não respeita o próximo e que, num ponto extremo, culmina com os crimes que vêm acontecendo. O motivo é que esta tática abarca o discurso de vitimização abençoado pela esquerda e carreia a idéia de que existe um salvo Conduto para a postura agressiva e Zagaliana (postura de Zagalo) do: “Vocês vão ter que me engolir. Afinal, são vítimas da sociedade”. Todo o processo, claro, turbinado pela impunidade, essa instituição nacional. Como diria meu filho... “Tá ligado”?. Outra característica do culto à pobreza é a exaltação de Projetos de inclusão sociais geralmente ligados à arte e ao esporte. Não sei se escrevo que é enganoso ou enganador, mas com certeza posso usar que é Politicamente correto ser contra essa vitimização das classes mais pobres. Como se não bastasse explorá-los no Ano de eleição, enganá-los, usá-los e se aproveitar de sua ingenuidade honesta. Agora entenda, morar na periferia não é morar nos bairros luxuosos, quando eles falam periferia, quer dizer Pobreza mesmo. Quando se refere à gente pobre sem nada mesmo, na pior. É da PERIFERIA. Essa de torcer a verdade, modificar para dificultar a compreensão dos menos letrados é digno da maestria deles, Políticos e interesseiros que trabalham com muito afinco, mas... Para ajudar de mesmo, seus parentes, amigos e correligionários, Úfa. Basta, precisa parar e quanto mais rápido melhor. Vou respirar.

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

REPASSANDO

                                               Dirceu Ayres
DILMA E CABRAL DÃO SHOW DE INCOMPETÊNCIA...!

Perguntei ao meu primo que mora na Austrália, se os australianos eram "solidários" como os brasileiros, nas situações de calamidades. Ele me respondeu que não sabia bem, porque lá, em caso de calamidade, o governo australiano fornece tudo: água, comida, roupa, financiamento para uma nova habitação (quando destruída pela catástrofe), suspende a cobrança de pedágios e reduz impostos. Os resgates e os transportes de suprimentos são feitos por pessoas treinadas e pelas forças armadas, de imediato, seguindo um planejamento existente.
DILMA E CABRAL DÃO SHOW DE INCOMPETÊNCIA NO RIO REPASSANDO! NINGUÉM DIZ? ENTÃO EU DIGO:
DILMA E CABRAL DÁ SHOW DE INCOMPETÊNCIA NO RIO.
OU: IMPRENSA QUE CHORA, NÃO PENSA! Para má sorte — a adicional — das vítimas, a tragédia ocorreu nos primeiros dias do governo Dilma Rousseff, no exato momento em que boa parte da imprensa estava construindo uma nova mitologia — está ainda — como chamei aqui: a da Dilma competente e silenciosa, em suposta oposição a seu antecessor, o Lula falastrão e buliçoso. A presidente seria aquela que se esgueira nas sombras, no boníssimo sentido, para fazer o necessário. Enquanto o Babalorixá buscava os holofotes, ela, “mais técnica”, quer saber é de eficiência. Sei… O céu desabou sobre a região serrana no Rio no meio desse culto à Dilma toda - pura, àquela Sem Pecados.Some-se a essa patifaria intelectual uma outra: Sérgio Cabral, governador do Rio, é o novo inimputável da política brasileira. Em muitos sentidos, quem ocupa o vácuo deixado por Lula é ele, não Dilma. Dias antes da tragédia, ele ocupava o noticiário nos convidando a deixar de ser “hipócritas”: 1) “Quem nunca teve uma namoradinha que foi obrigada a abortar?”, ele indagava, tentando socializar os pecados; 2) não legalizar o jogo é coisa de moralistas trouxas; 3) drogas? Ora, é preciso discutir a legalização. Alguma crítica? Ao contrário! Cabral passava por corajoso. E foi como um destemido que ele se mandou do Rio em viagem de férias justamente no período em que os morros do estado que ele dirige costumam se liquefazer. Até ele sabe que algo não foi bem, tanto que chegou em falar na necessidade “autocrítica”, mas não agora evidentemente. Os desgraçados das chuvas estão no inferno há uma semana. O que se vê é um impressionante show de incompetência dos governos Dilma e Cabral. A imprensa, com raras exceções, se limita a adornar com dramas pessoais a impressionante falta de coordenação no socorro aos desabrigados. A esta altura, uma espécie de gabinete de crise já deveria ter sido criado. Onde é o centro de operações de socorro? Quem coordenada? Quem é o chefe? Quem comanda? Ninguém sabe. O que se tem lá é verdadeiramente um cenário de guerra. Recorro a uma hipótese, que extrema a situação, só para que pensemos um pouco. Ainda bem que o Brasil, por enquanto ao menos, não tem inimigos agressivos — a não ser a desídia. Fico a imaginar se o país chegasse a ser atacado alguma vez por um país estrangeiro. Morreríamos como gado. Os partidos de oposição — eles existem? — também estão calados. Temem ser acusados de explorar a tragédia. Fico cá a imaginar um desastre nessas proporções se ocorrido no governo tucano. São Paulo, que não padece 5% das agruras do Rio,virou alvo do Partido da Imprensa Petista. As boçalidades escritas sobre Franco da Rocha servem de prova. Parece que a região serrana do Rio fica nos cafundós dos Judas, na região mais inacessível do planeta. Os relatos são dramáticos. A ajuda não está chegando aos desabrigados. Falta gente, falta organização, falta, ATENÇÃO!, Uma ORGANIZAÇÃO DE CARÁTER MILITAR do processo de socorro. Nessas horas, é ela que tem de coordenar os esforços civis. Não! Em vez disso, estão todos chorando. Choram as vítimas. Choram os voluntários. Choram os repórteres. Chora o bom senso. Só o governador do Rio e Dilma ainda não choraram. Ele só chora quando trata dos royalties do petróleo, e ela, quando fala dos “companheiros que tombaram” tentando implantar uma ditadura comunista no Brasil. Em matéria de tragédias humanas, são durões. Não que eu quisesse que eles também chorassem. Bastava que tentassem pôr um pouco de ordem no caos. Para isso foram eleitos. Por Reinaldo Azevedo.

A consulta

                                         Dirceu Ayres
 A mulher entra no consultório do Médico para ser atendida e o Médico muito educado fala. – Então, senta aqui senhora e me diz o que está sentindo.
- Aí é que tá Doutor: eu não consigo sentar direito. Tenho uma dor impossível aqui na base da coluna. Fisga, puxa, dói, rasga, parece que está me enfiando um parafuso no osso. Bem um parafuso no osso mesmo, não entender diferente.
- Sei. Mostra-me exatamente onde é que dói?.
- Aqui, ou. Bem. Eu acho. Sei lá, vai ver me fizeram alguma macumba, um vodu.
- Eu sou médico, eu não acredito em macumba ou nessa estória de vodu.
- Então é câncer, Doutor. Em câncer o senhor acredita né? Tomo esses remédios todos e espero que o senhor passe mais algum comprimido para essa dor.
- Na sua idade, não é provável o câncer. Mas também nunca tinha visto ninguém tão nova, nervosa e hipocondríaca. É, vai ver é câncer mesmo. (Já se irritando)
- Doutor!!!!
O Médico, clínico famoso, já escabreado com a paciente de comportamento tão neurótico, afirmou... É pode ser Câncer mesmo. -O Médico nunca tinha sido tão provocado como o que essa paciente estava fazendo e ele já estava se sentindo impaciente.
-Ela volta à carga: Como o senhor sabe que é câncer mesmo Doutor?
-Ora, você mesma quem insinuou que em não sendo vodu\macumba, seria câncer.
-Más a palavra do médico é que é a palavra final e de responsabilidade, disse ela.
-Bem, eu lhe disse que não era e na sua idade seria pouco provável.
-Más, deve ser uma doença perigosa ou infecto contagiosa né?
-Acho que você está no médico com a especialidade errada, seu caso é para um Psiquiatra, pois é a especialidade que vai resolver o seu problema, Os Psiquiatras são calmos, competentes nesses casos e são uma especialidade Médica que conforta e cura qualquer desequilíbrio nervoso e esses tipo de dor.
-Más já me disseram que Psiquiatras são Médicos de doido! Exclamou a paciente, o senhor acha que eu estou doida?
-Não minha senhora, é que eu estou como o Papai Noel e temo pelo meu saco.
-Mas eu não entendo nada do que o senhor está falando, isso é cultura demais? Deus, todo que Médico diz ou escreve ninguém entende, puxa vida, e agora Doutor?
- O Doutor já a beira do desespero, senhora aqui está o dinheiro que pagou pela consulta, estou devolvendo para que a senhora vá embora, terminou, acabou a sua consulta, por favor, vá embora!!!.
-Vigi Doutor, acho que o senhor está aborrecido viu!!!
-O Médico já no desespero diz... Não, não estou não, estou só cansado, mas vá embora.
-O senhor está mesmo decidido a me mandar embora né? Não quer me atender né?
-Meu Deus tenha piedade de mim, faça com que essa criatura vá logo embora.
-A mulher diz ôchénte seu Doutor, se é por mim eu já vou-me embora viu? Cháu, chau, e nunca mais. O Médico cancelou as outras consultas para aquela tarde, pegou seu carro e se mandou pela estrada, aí notou que já estava na Cidade de Coqueiro Seco e nem sabia o porquê nem como tinha chegado lá. Deu meia volta e foi prá casa.

A MINHA VELHICE

                                            DIRCEU AYRES
Envelheci; tão depressa, não esperava;
Desapareceu toda minha mocidade,
Em minha existência atribulada!
Não era bem assim que eu pensava.


Sempre julguei que a velhice tava longe
Descuidei-me, pensei que era aventura.
Vida sofrida, recheada de amargura;
Agora o fim, Não rezei, nunca fui Monge.


Nordestino, cheio de Nordestinidade!
Fim da linha, muito cheio de saudade;
Brasileiro, cheio de Brasilidade!
Vou pra terra, muito cheio de bondade.


Sempre achei que a minha mocidade
Ia durar uma vida farta e pura
Sem me preocupar com as agruras,
Agora amargo o fim, é só saudade.


Minha infância, sempre cheia de aurora!
Fui feliz, não reclamo à vida crua...
O pai pobre, eu brincava pela rua;
Muito bom, pois, não reclamo agora.


Assim, eu vivi como menino;
Caçando, Pescando, estudando;
Na missa via o Padre comentando
Tudo que ele dizia do Divino.


Cresci... Em Camaragibe fui morar
Mesmo sendo rapaz eu trabalhava,
Na banda de música eu tocava
Arranjava tempo para namorar.


Trabalhei, muita gente ajudei.
Casei-me, uma Família constituí.
Meu primeiro salário eu recebi
Pra Capital com família me mudei.


Na Cidade também me estabilizei
Comprei casa, tudo com muito jeitinho;
Os meninos sempre dedicaram carinho
A Mulher que no início eu bem amei.


Agora estou de testa com a velhice
Juventude com o tempo já passou
Agora doente e velho já estou
A Morte olha, seu assecla me assiste.


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