sábado, 7 de janeiro de 2012

Ministro ignora decreto de nepotismo e mantém irmão por 1 ano na Codevasf

                       
         Dirceu Ayres


Clementino Coelho assumiu presidência da empresa subordinada ao Ministério da Integração 21 dias depois de Fernando Bezerra Coelho ter tomado posse BRASÍLIA - O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, usou uma brecha na legislação que proíbe o nepotismo na administração pública e fez de Clementino Coelho, seu irmão, presidente da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba (Codevasf) durante praticamente um ano. A estatal tem um orçamento de R$ 1,3 bilhão aprovado para 2012. Após questionamentos do Estado, o governo anunciou que vai trocar o comando. Segundo nota da Casa Civil, Guilherme Almeida será nomeado nos próximos dias para a presidência da estatal. Clementino continuará como diretor. Bezerra está na berlinda por ter privilegiado seu Estado, Pernambuco, com a destinação de recursos para a prevenção de desastres e pelo abandono de diversos lotes da obra da transposição do Rio São Francisco. A saída de seu irmão da presidência da Codevasf é uma forma de tentar atenuar seu desgaste político. Clementino assumiu o comando da estatal em 24 de janeiro de 2011, 21 dias depois que Bezerra tomou posse no Ministério da Integração. Diretor de Desenvolvimento Integrado e Infraestrutura da Codevasf desde 2003, Clementino Coelho acabou alçado à presidência após a exoneração de Orlando Cézar da Costa Castro. O estatuto da empresa determina que na vacância da presidência o diretor com mais tempo de casa responde interinamente. A manutenção do irmão do ministro ocorreu porque não houve uma nomeação formal. Regras. O decreto presidencial 7.203 de 2010 afirma que "são vedadas nomeações, contratações ou designações de familiar de ministro de Estado" para cargo em comissão. Mais à frente, no parágrafo único do artigo 4.º, é reiterado que o caso de subordinação entre parentes é inadmissível. "Em qualquer caso, é vedada a manutenção de familiar ocupante de cargo em comissão ou função de confiança sob subordinação direta do agente público." A Controladoria-Geral da União (CGU), porém, afirma que o caso não incorreu na regra porque quando Bezerra tomou posse seu irmão já era diretor da Codevasf. O inciso II do artigo 4.º do decreto prevê uma exceção quando o nomeado vai ocupar um cargo superior ao do que já está na administração pública. Eduardo Bresciani, do estadão.com. br Integração privilegiou município onde filho do ministro será candidato Petrolina, onde Fernando Filho vai disputar a Prefeitura, recebeu mais de um terço das 60 mil cisternas compradas pelo ministério para distribuição junto a famílias carentes de todo o País BRASÍLIA - De um total de 60 mil cisternas de plástico compradas pelo Ministério da Integração Nacional para distribuição junto a famílias carentes, mais de um terço foram destinadas a Petrolina, município onde Fernando Filho, filho do ministro Fernando Bezerra Coelho (Integração Nacional), será candidato a prefeito. Conforme notícia publicada na sexta-feira, 6, no jornal Correio Braziliense, teria havido favorecimento à empresa fornecedora e privilégio à cidade na distribuição das cisternas, duas vezes mais caras que o modelo tradicional, de alvenaria. O edital do pregão para compra das cisternas, orçada em R$ 210,6 milhões, foi assinado por Clementino Coelho, em outubro de 2011, na condição de presidente em exercício da Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco (Codevasf). Clementino é irmão de Fernando Bezerra. Este foi três vezes prefeito de Petrolina e, na prática, é chefe do irmão. Os equipamentos integram o Plano Brasil sem Miséria. O cadastro único registrou 738,8 mil famílias carentes em oito estados do Nordeste e em Minas Gerais. Do total encomendado, 22.799 unidades (38%) serão entregues em Petrolina, que sedia uma unidade da Codevasf. Por meio de nota, o Ministério explicou que a opção de fazer a entrega nesta cidade é da empresa fornecedora, uma multinacional com sede em Valinhos, São Paulo, por questão de logística de distribuição. De lá, conforme o ministério, as unidades serão redistribuídas para os municípios vizinhos. Recordista em demandas por cisternas (224,9 mil), a Bahia foi contemplada com apenas 11 mil unidades, enquanto o Ceará, segundo colocado no cadastro de famílias carentes (185,9 mil), não foi sequer incluído no calendário de distribuições. As demais unidades foram destinadas a Penedo (AL), Montes Claros (MG), Teresina (PI), onde também funcionam sedes regionais da Codevasf. Ainda conforme a nota, o edital foi aprovado pela Controladoria-Geral da União (CGU) e a opção pelo modelo de polietileno deve-se à maior economicidade. Uma cisterna tradicional leva sete dias para ser montada e tem durabilidade de 12 anos. A de plástico, adotada em países como Austrália, Índia e China, é montada em apenas três horas e tem durabilidade de 35 anos. Vannildo Mendes, de O Estado de S.Paulo

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

E na cracolândia em SP....


      Dirceu Ayres

A PM paulista está fazendo uma limpa na área da Cracolândia no centro de SP. Um trabalho que na verdade não passa de cosmética limpeza da região para dar uma satisfação à opinião pública que a anos vem pedindo às autoridades que tomem providências sobre a venda e o consumo de crack naquela região. Sabemos que a especulação imobiliária é um ponto determinante para que o poder público acabe com a cracolândia. O centro velho de SP está em uma fase de reurbanização e revitalização, o projeto Nova Luz. O projeto visa a revitalização urbana e comercial de uma região em que a maioria dos imóveis e edifícios são de arquitetura lindíssima e sub utilizados ou abandonados. Uma cidade como São Paulo onde o espaço para crescimento já está em vias de acabar precisa e muito de projetos que visem a recupação de áreas que ficaram esquecidas pelo progresso e ocupadas pelo sub mundo da humanidade. Tem muita gente dizendo que a retirada dos "nóias" da região é apenas especulação imobiliária e presepada pré eleitoral. Concordo, é mesmo um movimento pré eleitoreiro com interesses financeiros. Mas já é alguma coisa. Só quem já passou por aquela região tem condições de saber que havia passado da hora de se colocar um fim naquele ponto de consumo e tráfico de drogas. São Paulo é a maior cidade do país e não pode conviver com essa situação. O problema do Crack é bem maior que a especulação imobiliária ou alguns votos a mais. É um problema social que transforma o usuário em um lixo humano, um farrapo auto destrutivo que é usado pelos traficantes para manter a especulação financeira do tráfico de drogas e pelos políticos de oposição, que na verdade não fazem porra nenhuma para ajudar na solução desse problema, mas são rápidos em acusar e apontar erros e "abusos aos direitos humanos" cometidos pela prefeitura. Na verdade o direito por lá é dus manos. O que a prefeitura de SP fez foi limpar uma região dos viciados e espalhar todos pela cidade, o que seria bem mais fácil de controlar por estar concentrado em um único local, agora pulverizou pela cidade e o que já era deficitário, saiu do controle de vez. Antes tinha "nóia" só nas ruas, Santa Ifigênia, Aurora, Vitória, dos Andradas e baixos do Minhocão, agora tem por todo canto. O problema do crack só acaba quando o estado brasileiro parar de papo furado e partir para cima dos traficantes com vontade e leis que realmente punam quem trafica drogas. Tem consumidor porque tem traficante. E certamente que ninguém em governo algum tem interesse em acabar com o tráfico de drogas, que entre outras coisas, financia campanha política de muita gente que está no poder. O tráfico que "sustenta" parcela da polícia e até do judiciário. Só não ve quem não quer. Enquanto acusam a prefeitura de estar atuando na cracolândia por conta da especulação imobiliária, muitos dos que acusam querem manter o crack por conta da especulação financeira que ele movimenta. E assim vai o jogo de empurra onde no meio ficam os coitados excluídos socialmente que servem apenas de massa de manobra dessas raposas safadas chamadas de políticos. E falar que viciado é problema de saúde pública é muito simplista. O vício antes de mais nada é um problema social que se não tiver controle adequado e leis bem feitas para punir quem trafica e responsabilizar quem usa acaba se tornando problema de saúde pública. E o estado omisso no controle de drogas acaba se tornando refém dessa situação. E na campanha pré eleitoral de 2010 dona Dilmarionete prometeu acabar com o crack, até camiseta de uma pseudo campanha ela chegou a vestir. E passado pouco mais de um ano, não vimos porra nenhuma em matéria de combate ao crack por parte do DESgoverno fedemal. E isso por sí prova que qualquer droga no Brasil de hoje não passa de oportunidade eleitoral. Foi assim na campanha para presidente e está sendo assim na campanha para prefeitos. E união no combate as drogas ninguém fala. É cada um para sí e a sociedade no meio. E na verdade, não existe interesse algum por parte da classe políticanalha em acabar com as drogas. Quanto mais gente drogada, bebada, burra e alienada mais fácil é a perpetuação no poder. E se você não é polítco, não usa drogas, não bebe, não é alienado pelo futebol e nem assiste ao BBB... Ou tá morto, ou tem pobrema no celébro!! E Phoda-se!!!

Ministério se contradiz ao explicar manobra com verba do São Francisco

                               
     Dirceu Ayres

Um dia após confirmar ao 'Estado' o pedido de remanejamento da recursos da transposição, Integração negou em nota que pretendesse trocar valores de uma obra para outra BRASÍLIA - O Ministério da Integração Nacional se contradisse nesta sexta-feira, 6, ao buscar explicar a tentativa de retirar recursos da transposição do Rio São Francisco para direcionar dinheiro a uma barragem em Pernambuco, berço político do ministro Fernando Bezerra Coelho. Em nota divulgada nesta tarde a pasta nega que a intenção tenha sido trocar diretamente recursos de uma obra para outra, mas outro comunicado enviado na quinta-feira, 5, pelo próprio ministério ao Estado afirmava ter ocorrido o pedido de remanejamento de recursos do São Francisco para atender à barragem Serro Azul, na Zona da Mata Pernambucana. Bezerra está em situação delicada devido à paralisia das obras da transposição do São Francisco e ao favorecimento de seu estado na liberação de recursos. Veja também: Em nota divulgada nesta tarde o ministério tenta negar a informação de que a pasta tentou retirar R$ 50 milhões da transposição para destiná-los à barragem de Serro Azul. "Não é correto afirmar que houve solicitação do Ministério da Integração Nacional para remanejamento direto de recursos do Projeto de Integração do Rio São Francisco - PISF para a Barragem de Serro Azul. O que ocorreu, de fato, foi uma solicitação de ajustes em diversas programações do Programa de Aceleração do Crescimento - PAC, com redução de valores em várias ações do PAC (incluindo PISF) e acréscimos de valores em outras ações (incluindo Serro Azul)." Na quinta-feira, porém, o próprio ministério admitiu que o pedido era de uma troca direta entre as duas obras. "Foi necessário envio de solicitação ao Congresso Nacional para alteração da proposta orçamentária visando incluir recursos suficientes para a execução da barragem de Serro Azul para o exercício de 2012. Os recursos propostos para a suplementação adviriam de ações alocadas no âmbito do Projeto de Transposição do Rio São Francisco", diz nota enviada ao Estado. A retirada de recursos da transposição do São Francisco foi barrada pelo Congresso Nacional por pressão da bancada do Nordeste. O ministério argumenta que tirar R$ 50 milhões da obra não impactaria o ritmo de execução das obras. O Estado procurou o ministério para explicar a contradição nas notas, mas ainda não obteve retorno. Eduardo Bresciani, de O Estado de S.Paulo

O andor de Bezerra não vai livrar Pimentel da procissão dos pecadores federais

                           
   Dirceu Ayres


O caso está encerrado, decidiram Dilma Rousseff e Fernando Pimentel, ambos grávidos de ansiedade pelo pronto engavetamento das histórias muito mal contadas que envolvem o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior. O caso está mais aberto que nunca, avisa o artigo de J. R. Guzzo na última página da mais recente edição de VEJA, reproduzido na seção Feira Livre. Como registra o texto, a chefe do Executivo ─ provavelmente animada com as festas da virada do ano ─ nomeou-se comandante também do Legislativo e do Judiciário para dispensar de quaisquer esclarecimentos aos três Poderes o velho parceiro de comunismo & clandestinidade. “Se quiser falar, ele fala”, resolveu o neurônio solitário. “Se não quiser, ele não fala”. Má idéia, alerta o texto de J. R. Guzzo. Se optar pela mudez seletiva, Pimentel vai anexar uma silenciosa confissão de culpa à pilha de provas e evidências que denunciam a presença, no primeiro escalão federal, de um ex-prefeito de Belo Horizonte que, antes de virar ministro, embolsou pelo menos R$ 2 milhões traficando influência fantasiado de “consultor”. Como a fila dos vigaristas federais não para de andar, o ministro e a presidente aparentemente acreditam que o andor ocupado por Pimentel na procissão dos pecadores já cruzou a zona de turbulência e foi substituído pelo que hospeda o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho. Logo saberão que se enganam. No momento, o inventivo pernambucano que combate inundações no Sudeste plantando barragens em currais eleitorais no Nordeste lidera a luta por espaço no noticiário. Mas o duelo será equilibrado pela iminente divulgação de outro lote de maracutaias protagonizadas por um ministro do Desenvolvimento que não consegue encontrar explicações para o próprio desenvolvimento financeiro. Caso tivesse juízo, Dilma aproveitaria a farsa da “reforma ministerial” para livrar-se do duplo abraço de afogado. Como a superexecutiva de araque não sabe a diferença entre manifestações de autoridade e chiliques de debutante que errou na escolha do vestido de baile, talvez prefira manter no emprego esses anões morais paridos pela Era da Mediocridade. Onde o país decente enxerga dois sócios remidos do clube dos cafajestes, Dilma vê um par de patriotas com a cara do Brasil que reinventou em parceria com o padrinho Lula. Faz sentido. Desde janeiro de 2003, as coisas mudaram muito nesses trêfegos trópicos. O cinismo eleitoreiro e a ganância de agiota, por exemplo, viraram virtudes. Augusto Nunes

PSB leva o dinheiro para tragédias, acaba com as férias da Dilma e cala a Oposição.

                

     Dirceu Ayres

A oposição, representada pelos governadores Antônio Anastasia (PSDB-MG) e José Richa (PSDB-PR) viraram reféns do PSB e saíram em defesa dos desmandos do ministro Fernando Bezerra (PSD-PE), na Integração Nacional. Do outro lado, Dilma teve que voltar correndo das férias para contornar a crise. O PSB está podendo. O PSDB está morrendo. O Palácio do Planalto teve de atuar nos bastidores para evitar que um mal-estar relacionado ao PSB se tornasse uma crise institucional com o partido aliado. A legenda comanda o Ministério da Integração Nacional, pivô do desconforto político e alvo de críticas por conta dos critérios de distribuição de verbas contra enchentes. A versão de que a ministra-chefe da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, voltara de férias na última terça-feira para fazer uma intervenção branca na pasta provocou dura reação do ministro Fernando Bezerra e fez com que a presidente Dilma Rousseff determinasse a divulgação de uma nota negando a interferência. A negativa, porém, não foi suficiente para colocar um ponto final no incômodo. Em entrevista coletiva, Bezerra mandou um recado claro: "O que nós não podemos aceitar é a perda de autonomia do Ministério da Integração. Ou sou chamado para cumprir uma tarefa com atribuições bem definidas ou não me chame para cumprir meia tarefa". A declaração foi dada anteontem, quando a chefe da Casa Civil já havia tornado pública a nota repudiando a hipótese da intervenção. Conforme a Folha apurou, porém, Dilma não ficou nada satisfeita ao ser informada de que tanto o titular da Integração quanto seu secretário executivo estavam fora de Brasília justamente num momento em que as chuvas atingiam seriamente cidades do Rio de Janeiro e Minas Gerais. Ela também não gostou de ver notícia na imprensa dando conta de que a pasta teria privilegiado Pernambuco no repasse de verbas. Por isso, a presidente determinou que Gleisi chamasse o ministro para explicar reportagem do "Estado de S. Paulo" segundo a qual 90% da verba do programa da Integração Nacional foram repassados para Pernambuco, Estado do ministro e de seu padrinho político, o governador Eduardo Campos (PSB). A insinuação de privilégio irritou a cúpula do PSB, em especial Eduardo Campos, um dos negociadores da liberação de recursos. Levantamento feito pela Folha mostrou que 95,5% da liberação de pagamentos assumidos em 2011 para o programa de prevenção de enchentes foi para Pernambuco, Estado que, em 2010, vivenciou um dos piores desastres naturais de sua história por conta das chuvas. Ontem, o Planalto fez questão de dizer que a destinação dos recursos fora feita com o consentimento de Dilma, em evento público realizado ao lado de Eduardo Campos. A informação foi dada justamente para ajudar a distensionar os ânimos. A confusão acabou reacendendo uma disputa velada entre PT e PSB. Aliados históricos, a relação dos dois partidos nunca foi tranqüila. Petistas desaprovam o fato de o ex-presidente Lula ter ajudado Campos a se tornar politicamente capaz de concorrer com o partido na disputa pela Presidência em 2014.(Da Folha de São Paulo) Abaixo, comentário de Dora Kramer em sua coluna de hoje, no Estadão: O tucanato em geral, o senador Aécio Neves e área de influência no PSDB em particular pegaram leve, com críticas quase protocolares, no caso das consultorias de Fernando Pimentel porque o ministro da Indústria e Comércio foi e ainda é potencial aliado em Minas Gerais. A fidalguia se repete com o ministro da Integração Nacional porque Fernando Bezerra é aposta eleitoral do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, sonho de consumo do PSDB e de quem o presidente do partido, Sérgio Guerra, é firme aliado. Posto assim o cenário, o PSDB não tem moral para dizer que o PT atua com foco exclusivo na disputa eleitoral, contribuindo para a deterioração da prática política no tocante ao exercício democrático do contraditório. O PT coopta e estrangula a oposição, é verdade. Mas a oposição se deixa docemente estrangular. Aposta na articulação de bastidor em detrimento da relação com a sociedade. Mesmo do ponto de vista das artimanhas políticas essa é uma forma esquisita de se conduzir: divide-se internamente e, em relação aos governistas, prefere a composição à oposição.

Ministro da Integração tentou tirar verba da transposição do São Francisco

               
    Dirceu Ayres


Reportagem do 'Estado' mostrou que as obras de transposição estão abandonadas em diversos lotes e que parte do trabalho feito já começa a se perder Parte da obra de transposição já começa a se perder BRASÍLIA - O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, tentou tirar R$ 50 milhões do Orçamento de 2012 da obra de transposição do rio São Francisco para destinar recursos a uma barragem em Pernambuco, seu berço político. A tentativa foi feita por meio de ofício encaminhado em outubro de 2011 ao Ministério do Planejamento pedindo uma realocação de recursos para destinar o montante à barragem de Serro Azul, na zona da mata pernambucana. A manobra foi barrada pelo Congresso durante a votação do orçamento O Estado mostrou em dezembro passado que as obras de transposição do rio São Francisco, principal empreendimento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) no Nordeste, estão abandonadas em diversos lotes e que parte do trabalho feito já começa a se perder. Até novembro de 2011, somente 5,2% do orçamento de 2011 destinado à transposição tinha sido executado. A ação do ministro para tirar dinheiro da principal obra de sua pasta reforça as acusações de uso político do cargo devido à destinação prioritária de recursos do ministério a seu Estado, onde tem pretensões eleitorais e é apadrinhado do governador Eduardo Campos (PSB).O pedido de remanejamento feito pelo Ministério da Integração chegou oficialmente ao Congresso no dia 6 de dezembro de 2011. A justificativa enviada aos parlamentares é que a mudança era necessária para incluir Serro Azul no PAC. A construção desta barragem é comandada pelo governo de Pernambuco e tem custo estimado de R$ 350 milhões. A certeza da aprovação era tão grande que outros R$ 4 milhões até então destinados a Serro Azul foram realocados. Por questões burocráticas, todos os pedidos de mudança têm de ser feitos pela pasta interessada ao Ministério do Planejamento. Foi este que encaminhou a solicitação ao Congresso.A bancada do Nordeste, porém, não aceitou a mudança. Os parlamentares ficaram irritados porque o ministério nem sequer justificou o motivo da redução de recursos da transposição. "Nós mobilizamos a bancada do Nordeste contra isso. O ministério deve ter as prioridades dele, mas a transposição é a prioridade do Nordeste", afirmou o deputado Efraim Filho (DEM-PB). Ele e mais dois colegas apresentaram emendas pedindo a recomposição dos recursos da principal obra para a região. O relator responsável por analisar o orçamento da Integração, José Priante (PMDB-PA), chegou a apresentar um parecer acatando a sugestão do ministério, mas recuou diante da pressão dos nordestinos e manteve em R$ 900 milhões a previsão de recursos para a transposição em 2012.Em nota enviada ao Estado, o ministério argumenta que retirar recursos da transposição "não impactaria o ritmo de execução do projeto" devido ao estoque de empenhos realizados. Segundo o ministério, a obra tem recursos empenhados de R$ 1,2 bilhão referentes a restos a pagar de anos anteriores e ultrapassaria R$ 2 bilhões disponíveis levando-se em conta o orçamento de 2012. A pasta reafirma a prioridade da transposição. "O Projeto São Francisco, que compõe o Programa de Aceleração do Crescimento, é a maior ação estruturante no âmbito do eixo de Recursos Hídricos e conta com o compromisso do Governo Federal na conclusão da obra e na retomada de um ritmo acelerado de execução no primeiro trimestre de 2012" Sobre a barragem de Serro Azul, a pasta afirma ser essa a "maior obra do sistema de contenção de enchentes da zona da mata pernambucana". Em entrevista coletiva na quarta-feira, 4, o ministro afirmou que pode recorrer a créditos extraordinários para atender à obra. A assessoria da pasta afirma que se forem destinados novos recursos à barragem eles serão "provenientes do PAC". Eduardo Bresciani, do estadão.com. br

Ele é governo, mas uniu a oposição. Ele é "o" candidato a presidente do Brasil.

               
  Dirceu Ayres

Tchau, Aécio Neves. Tchau, Sérgio Cabral. Tchau, PSDB. Tchau, PMDB. Eduardo Campos, governador do Pernambuco e presidente do PSB são o mais poderoso candidato a presidente do Brasil para os próximos anos. Peitou a Dilma, calou a boca do PT, botou os governadores de oposição atingidos pelas tragédias das chuvas a defendê-lo em praça pública, mesmo que o dinheiro que deveria ser dos seus estados tenham ido para os cofres do pernambucano. O "galeguinho dos zóio azul" saiu forte diante de uma oposição covarde e sem representação. E ainda proferiu uma frase lapidar para um bando de governadores frouxos e incompetentes: "não posso ser culpado por ser eficiente". Leiam, abaixo, entrevista concedida à Folha de São Paulo. Folha - O ministro da Integração privilegiou Pernambuco em detrimento de outros Estados, como Minas e Rio? Eduardo Campos - Não é isso o que dizem os governadores de Minas e Rio. Eu não sei o que os outros Estados fizeram e não posso ser culpado por ser eficiente para resolver problemas das enchentes. Estou fazendo obras para evitar mais acidentes e salvar vidas. A que o sr. atribui as críticas? Há tragédias ocorrendo no Rio e em Minas. Eu vivi isso e estou tenso pela chegada das chuvas. No caso do nosso Estado, pegaram meia informação. Passou a impressão que todo o recurso de Defesa Civil foi para Pernambuco. Não é verdade. Foram R$ 25 milhões de R$ 31 milhões, negociados com a presidente e anunciados em evento público, com imprensa presente. Alguns jornais disseram que houve intervenção da ministra Gleisi, da Casa Civil, na Integração por conta dos desastres em Minas e no Rio. Isso criou mal-estar no governo. Isso é conversa. A presidente, tocada com as notícias de Minas e Rio, diz que a ministra volte para Brasília e ordena que a Casa Civil negue que haja uma intervenção no Ministério da Integração. Não há tentativa de desestabilizar o ministro? Não tem jogo interno de tentar queimar Fernando. E crise entre PSB e governo? Crise nenhuma. Dilma tem nos atendido, reafirmamos apoio a ela. Crise é a chuva chegar aqui de novo. Abaixo, matéria publicada hoje no Estadão: Sob o comando do governador Eduardo Campos (PE), o PSB traçou estratégia pragmática para ampliar sua inserção no Sul e no Sudeste na eleição municipal deste ano. Com o objetivo de se projetar como uma das principais forças políticas do País, o partido pretende fechar um arco de alianças que vai do PT ao PSDB, a depender do cenário eleitoral. Apontado como um dos nomes que podem um dia disputar a eleição presidencial, Campos, presidente da legenda, quer ampliar de 314 para 500 o número de prefeituras administradas pelo PSB - em 2004 o partido conquistou apenas 176 cidades. A inserção nacional do partido, se bem-sucedida, dará combustível político para o governador, cotado para ser vice numa eventual chapa de Dilma Rousseff em 2014. Ele também é apontado como um dos candidatos potenciais para concorrer ao Palácio do Planalto em 2018. Campos costurou rede de prefeituras pelo Nordeste, ajudado pelo PT do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva: 205 das 314 prefeituras ficam na região. A maior parte está em Pernambuco. Lá, o partido comanda 49 dos 185 municípios. No Rio Grande do Norte, o desempenho é semelhante: 44 dos 167 prefeitos são filiados à sigla. Neste ano, o PSB deve lançar 1,5 mil candidatos a prefeito, quase a metade no centro-sul do País. Nos três Estados do Sul, o partido tem apenas 27 das 1.188 prefeituras. No Sudeste, são 57 prefeitos nos 1.668 municípios. No Paraná, o PSB conta com o apoio do PSDB para manter a Prefeitura de Curitiba e lançar outros 140 candidatos, como em Maringá, Foz do Iguaçu e Cascavel. Em Minas, a legenda negocia tanto com o PT e com o PSDB para reeleger o prefeito de Belo Horizonte, Marcio Lacerda, além de outros 150 candidatos. No Rio de Janeiro, cogita apoiar o PMDB, do prefeito Eduardo Paes, e lançar outros 22 candidatos em municípios estratégicos, como Petrópolis, Nova Friburgo e Duque de Caxias. Na cidade de São Paulo, o partido pode tanto se aliar com os tucanos como com o PSD, do prefeito Gilberto Kassab, caso não saia a chapa PSDB-PSD. Como o PSB pretende ter candidatura em cem cidades pelo Estado, negocia com as duas siglas apoio para seus candidatos em Campinas, Ferraz de Vasconcellos, Taboão da Serra, São Vicente, Paulínia e São José do Rio Preto. Campos desenhou com Kassab a estratégia no Sul e Sudeste. Os dois chegaram a estudar uma fusão PSB-PSD no ano passado, mas descartaram em nome de uma ação comum no Congresso. Em relação ao PT, o PSB trabalha para ter o apoio em Aracaju e João Pessoa. Pode apoiar o partido em Salvador, Teresina, Rio Branco e Palmas. Em Fortaleza e Recife, pode tanto apoiar o PT quanto lançar candidato. De 1996 a 2008, a votação do PSB passou de 3,8% para 5,7% dos votos válidos. O crescimento da bancada no Congresso contribuiu para que a sigla fosse cortejada em razão do tempo de televisão no horário eleitoral gratuito: pelo menos 2min30s diários na eleição de 2012. Para o primeiro secretário nacional da legenda, Carlos Siqueira, a eleição municipal "não guarda relação" com a disputa nacional. "Segue dinâmica própria. O PSB pretende usar a eleição de 2012 para aprofundar a discussão sobre a necessidade de uma reforma urbana nas cidades." (Coturno Noturno)