domingo, 4 de março de 2012

Senhores Comandantes: pedir as contas é um dever!

                  

     Dirceu Ayres

Pois a fúria ditatorial de Dilma Rousseff, alimentada pela vassalagem explícita de Celso Amorim, atingiu o clímax - por enquanto, pois nada é tão ruim que não possa piorar - ontem: a Comandante em Chefe mandou os comandantes das três Forças punirem os oficiais da reserva que assinaram o "Alerta à Nação: Eles que venham, por aqui não passarão!". 'Oficiais da reserva', você leu bem. A dupla quer punir militares inativos por manifestarem sua opinião, o que lhes é assegurado por Lei. Está lá, na Lei 7.514, de 17 de Julho de 1986: "...é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público." O maior problema, pelo leitura que faço, é que os comandantes, pela enésima vez, baixaram a cabeça e voltaram para seus gabinetes acarpetados dispostos a cumprir a ordem, mesmo ao arrepio da lei. Nenhum teria tido a decência de informar claramente à Suas Excelências que seus colegas de pijama estava exercendo um direito que a legislação do país lhes garante. Imagino o contorcionismo dos assessores jurídicos em parir um enquadramento que justifique, minimamente, uma punição aos signatários do documento. Se acontecer, a punição será uma vergonha - mais uma - não para os oficiais de pijama, mas para os comandantes que terão sucumbido aos caprichos ditatoriais da dupla Dilma-Amorim. Senhores Comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica: antes de compactuar com tamanha indignidade, pedir as contas é um dever! Montedo.

SABOR DE PLEBISCITO: NACIONALIZAÇÃO DA ELEIÇÃO EM SP LEVA PT AO DESESPERO. SERRA TEM O APOIO DE 44 MILHÕES DE ELEITORES.

                     
   Dirceu Ayres


O mais interessante não é a performance de José Serra, que sempre foi muito bem votado em São Paulo. Mas a grande novidade da eleição paulistana é a sua nacionalização. A ficha começa a cair. As pessoas de todo o Brasil estão vendo que o resultado eleitoral de São Paulo, desta feita, terá implicações profundas no curto prazo em termos nacionais. Na eleição presidencial José Serra teve 44 milhões de votos. Conseguiu isso praticamente sozinho porque foi abandonado pelo seu próprio partido. Esses mesmos que agora estão postando vídeos no YouTube em reuniões que defendem uma prévia furadíssima. E porque Serra obteve sozinho aquela volumosa votação na última eleição presidencial? Ora, porque em grande medida foram votos plebiscitários, não que isso deponha contra José Serra que é sem dúvida um dos melhores quadros políticos do Brasil. Mas é uma realidade, porque a campanha presidencial de Serra foi um desastre de marketing, de ações políticas e, sobretudo, de empenho de seu próprio partido que á fraco, titubeante e que tem medo de fazer oposição, de assumir a sua responsabilidade como o maior partido oposicionista. Provavelmente Serra desta feita irá também fazer uma campanha solitária, mas vencerá o pleito porque os eleitores paulistas primeiro, já conhecem José Serra que fez ótimas gestões no governo e na prefeitura; segundo, porque não têm nenhuma razão de entregar a prefeitura de uma das maiores metrópoles do mundo e a maior e mais pujante cidade que sustenta boa parte do Brasil, nas mãos dos comunistas do PT. Sabem o descalabro que foi a prefeitura nas mãos da Marta Suplicy e da Luiza Erundina e não estão a fim de embarcar em mais uma canoa furada. Quem acompanha a política brasileira já sabia que a primeira pesquisa que se fizesse mostraria os números que essa pesquisa DataFolha mostrou. Outro fato que levou os analistas conseqüentes a intuirem essa performance de José Serra estava no comportamento da grande imprensa que nos últimos dias dedicou-se a baixar o cacete em José Serra, sem qualquer motivo.
Nesta noite gastei boa parte no tempo na internet, principalmente no Twitter e FaceBook e pude sentir de perto a virulência e os desesperados ataques da bandalha do PT. Um fator, no entanto, conspira favoravelmente a José Serra: a campanha eleitoral de São Paulo tornou-se um evento nacional. Os 44 milhões de eleitores brasileiros mantêm a interpretação deste pleito como um evento que mexe com todo o Brasil. Tendem a ser comportar como no pleito presidencial, isto é, alimentando uma visão plebiscitária que coloca José Serra como o único político anti-PT. A eleição paulistana adquire esse contorno que deixa o PT apavorado já que esse volumoso eleitorado em todos os cantos do Brasil conjugará esforços no sentido de ajudar José Serra nessa sua nova empreitada. Os eleitores sabem que mais uma vez José Serra será traído miseravelmente pelos seus próprios companheiros de partido e caminhará sozinho pelas ruas de São Paulo. Por isso, um instrumento que foi pouco usado na última eleição este ano vai bombar: são as redes sociais, especialmente o FaceBook e o Twitter que cresceram de forma vertiginosa e muito mais brasileiros possuem computador. Não por causa do governo do PT, mas por causa da produção em escala global. A cada dia esses equipamentos ficarão mais baratos e acessíveis a todos, como já são os telefones celulares e o smartfones que dão acesso às redes sociais. Mesmo sem computador, mas com um smartfone não mão o eleitor tem acesso em tempo real sobre o que está rolando no Brasil e no mundo. E não ficará indiferente! Esta é uma nova realidade que ajuda muito José Serra, pois linkará seus 44 milhões de eleitores espalhados pelo Brasil que, de repente, não se furtariam em doar cada um apenas R$ 1 real. Esta é a conta que tem de ser feita. Foi isso que contribuiu decisivamente para levar Obama à Casa Branca e aumentar vertiginosamente o caixa da campanha. Se José Serra atentar para estes fatos vencerá a eleição em São Paulo no primeiro turno. O sintoma mais explícito de que os petistas estão apavorados aparecerá nas edições dos jornalões deste domingo. A maioria dos analistas dos grandes jornais e televisões são todos petistas de carteirinha. E, como todo petista é comunista, esse pretensos analistas imparciais são uns grandes mentirosos e manipuladores da opinião pública. Como todo comunista, evidentemente. No início começarão analisando o quadro eleitoral em favor do PT, mas com certo cuidado. Mais adiante partirão para o tudo ou nada e dispararão calúnias e infâmias, sem falar nos dossiês que , a esta altura, devem estar sendo preparados nos porões do PT. A informação, portanto, não está mais nos veículos da grande imprensa. Está na internet, nas redes sociais e nos blogs independentes e no trabalho dos poucos jornalistas que não comem caraminguás oficiais.

E a milicada está de quatro!!!!

            

   Dirceu Ayres

Desde os áureos tempos da ditadura militar as foças armadas nunca foram tão mal avaliadas pela população. Em primeiro lugar o fato de terem prendido, torturado e deixados vivos todos os bandidos que hoje estão no poder central de Banânia foi de uma incompetência absurda. Fizeram um servicinho de merda, já que era para sentar o dedo nos terroristas tinham que ter dizimado a ninhada inteira... Deixaram alguns vivos... Olha a merda que deu. Eram pouco mais de 1.600 presos políticos e hoje tem mais de 20.000 recebendo a bolsa ditadura..Só fizeram merda!!! Essa tal de comissão da verdade nada mais é do que um descarado revanchismo de quem levou o ferro na revolução e que hoje quer a vingança. Não estão atrás de verdade alguma, querem apenas a revanche e punir os "vencedores", mais uma vergonha nacional. As forças armadas desde a chegada de FHC ao poder vêm sendo sucateada ano a ano, e com a chegada das Ratazanas Vermelhas a coisa desandou a ponto de um General de Divisão virar carregador de bolsa da PresidANTA. Quem não lembra da imagem da presidANTA indo a frente e um generaleco atrás carregando uma bolsa, servil e humilhantemente desrespeitando a farda que vestia. Para carregar bolsinha de terrorista presidANTA existe uma legião de puxa sacos, não precisava de uma graduada melancia verde oliva.  Interessante é que a imagem do General carregando as bolsas estava pela NET e hoje eu virei o Google do avesso e não encontrei mais....Estranho...muito estranho... Alé de sucateada e ajoelhada diante dos "poderosos" as FFAA se tornaram guarda de patrimônio e estão no Hell de Janeiro fazendo o servicinho sujo de "coibir" o tráfico de drogas e "pacificar" de araque algumas favelas. Milico tomando conta de favela é o fim da picada... mas, enfim... Agora chegou a vez do Clube Militar entrar na mira dos Vermelhinhos. Lançaram um manifesto "Alerta à nação - eles que vem, por aqui não passarão". Onde criticam a presidANTA por não ter censurado as ministras Maria do Rosário (Direitos Dusmanos) a Eleonora Menicucci (Secretaria de Política para Mulheres), que pediram revogação da lei de anistia. Esse manifesto só tem recebido mais e mais apoio dos milicos da reserva e criou uma pequena batalha entre o executivo, o sinistério da defesa, "leia-se Celso Amorim" e o clube militar. A presidANTA ficou irritadinha com a postura dos Milicos de pijama e chamou seu baba ovos da defesa e exigiu providências. Estão estudando a possibilidade de punição contra os milicos reformados...Punição contra aposentado só se for o corte nos pagamentos dos benefícios. Ou vai me dizer que a presidANTA é tão sem noção que será capaz de pedir a prisão de todos os generais que assinaram o protesto? Se isso acontecer é chegada a hora de fecharem os quartéis, dispensarem as tropas derrubarem as construções lá edificadas e nos terrenos colocar projetos do minha casa minha vida, ou simplesmente moto nivelar e plantar bananas. Pois em terreno que dá melancia dá banana também. Ou seja, em vez de punirem os milicos com a infame comissão da verdade, conseguiram pular algumas etapas com a ajuda dos próprios melancias e poderão punir a milicada apenas por conta desse manifesto. E na caserna a tropa de quatro esperando a vez de tomar no rabo. E assim vai caminhando o Brasil dos covardes. Ai que saudade do Médici, do Golbery, e principalmente do Figueiredo!!! Ao menos nos tempos deles militar era respeitado. Hoje, alguns carregam as malas de quem combateram no passado...O pior não é ser derrotado pelo inimigo, o duro mesmo é a humilhação. Ahhh, e não esqueçam que a Bolsa Ditadura é coisa do FHC, hein? O Sebentão só expandiu o benefício para a cumpanherada. E PHODA-SE!!! (O Mascate)

A Visão do Leitor


        Dirceu Ayres


Marcelo Dornelas disse... MPF/DF propõe ação de improbidade contra Lula e ex-ministro da Previdência: A assinatura de correspondências enviadas a aposentados do INSS foi feita para promover as autoridades e favorecer o Banco BMG, argumenta o MPF/DF O Ministério Público Federal no Distrito Federal (MPF/DF) entrou na Justiça contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ex-ministro da Previdência Social Amir Francisco Lando por improbidade administrativa. Eles são acusados de utilizar a máquina pública para realizar promoção pessoal e favorecer o Banco BMG, envolvido no esquema do mensalão. As irregularidades aconteceram entre outubro e dezembro de 2004. Segundo apurações do MPF/DF e do Tribunal de Contas da União, mais de 10,6 milhões de cartas de conteúdo propagandístico foram enviadas aos segurados do INSS com dinheiro público. As cartas informavam sobre a possibilidade de obtenção de empréstimos consignados com taxas de juros reduzidas. A manobra custou aos cofres públicos cerca de R$ 9,5 milhões, gastos com a impressão e a postagem das cartas. O MPF/DF defende que não havia interesse público no envio das informações e a assinatura das correspondências diretamente pelo então presidente da República e pelo ex-ministro da Previdência foi realizada para promover as autoridades. Outra irregularidade apontada foi o favorecimento do Banco BMG, única instituição particular apta a operar a nova modalidade de empréstimo naquela época. As investigações mostraram que a única novidade na época do envio das cartas era o convênio recém firmado entre o banco e o INSS, pois a lei que permitia aos segurados efetuarem empréstimos consignados foi sancionada dez meses antes. Outro fato que chamou atenção foi a rapidez no processo de convênio entre o BMG e o INSS: durou apenas duas semanas, quando o comum é cerca de dois meses. Para o MPF/DF, fica evidente o propósito propagandista da carta, a qual não tinha nenhum caráter educativo, informativo, ou de orientação social, como prevê a legislação. “Diante do apurado, podemos concluir facilmente que a finalidade pretendida com o envio das correspondências era, primeiramente, promover as autoridades que assinavam a carta, enaltecendo seus efeitos e, consequentemente, realizando propaganda em evidente afronta ao art. 37, 1º da CF e, ao mesmo tempo, favorecer o Banco BMG, única instituição particular apta a operar a nova modalidade de empréstimo”, defende o MPF/DF na ação. Para garantir a devolução dos valores gastos com o envio das correspondências aos cofres públicos, o MPF/DF pede, em liminar, o bloqueio de bens dos acusados. O processo está em fase de intimação dos réus. Irregularidades – De acordo com investigação feita pelo MPF/DF e o Tribunal de Contas da União, o envio das cartas foi feito a pedido do então chefe de gabinete do ministro da Previdência Social. Entretanto, a emissão e impressão das correspondências, que ficou por conta da Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência Social (Dataprev), não obedeceu os trâmites legais, já que não houve um contrato formal para o processo. Só depois de iniciada a produção das cartas é que a Dataprev encaminhou proposta de contrato ao INSS, especificando o número e custo das cartas encomendadas, no valor total de R$ 9,5 milhões, aproximadamente. A resposta da Previdência, no entanto, veio apenas quatro meses depois, quando mais de 11 milhões de cartas já haviam sido impressas e pelo menos 10,5 milhões enviadas aos segurados pelos Correios. O INSS não reconheceu a dívida e concordou em pagar apenas pela postagem das cartas já expedidas, cerca de R$ 7,6 milhões. Os custos de emissão e impressão – cerca de R$ 1,9 milhão – foram arcados pela Dataprev. Nos dois casos, nunca existiu qualquer instrumento legal autorizando os pagamentos. Após a constatação das irregularidades pelo TCU, as duas instituições decidiram interromper o processo de produção e expedição das cartas e, no ano seguinte, determinaram a destruição de mais de meio milhão de cartas. A investigação mostrou, ainda, que os custos de postagem das cartas também causaram prejuízo aos cofres públicos, uma vez que os valores pagos pelo INSS aos Correios foram mais altos do que os valores de mercado. A ação quer o ressarcimento aos cofres públicos de todos os valores gastos indevidamente. Se forem condenados pela Justiça, os acusados poderão, ainda, ter os direitos políticos suspensos; pagar multa; ficar proibidos de contratar ou receber benefícios do Poder Público; e perder a função pública ou aposentadoria, quando for o caso. O caso será decidido pela 13ª Vara da Justiça Federal no DF. Processo 7807-082011.4.01.3400. Consulte aqui a íntegra da ação civil pública. 4 de março de 2012 07:31 Postado por Laguardia

sábado, 3 de março de 2012

Procurou sarna para se coçar. Achou.

                                               

      Dirceu Ayres

Não será fácil para os comandantes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica resolverem o imbróglio criado pela presidente Dilma Rousseff por ter decidido punir com advertência todos os militares que assinaram o manifesto "alerta à nação - eles que vem, por aqui não passarão", que endossa as críticas a ela por não ter censurado suas ministras que pediram a revogação da lei de anistia. A presidente já havia se irritado com o manifesto dos Clubes Militares, lançado às vésperas do Carnaval, e depois retirado do site, e ficou mais irritada ainda com o novo documento, no qual eles reiteram as críticas e ainda dizem não reconhecer a autoridade do ministro da Defesa, Celso Amorim, para intervir no Clube Militar. Inicialmente, o manifesto tinha 98 assinaturas. Na manhã da quinta-feira, após terem tomado conhecimento da decisão de puni-los, o número de seguidores subiu para 235 e no início da tarde de sexta-feira chegou a 386 adesões, entre eles 42 oficiais-generais, sendo dois deles ex-ministros do Superior Tribunal Militar. A presença de ex-ministros do STM adiciona um ingrediente político à lista, não só pelo posto que ocuparam, mas também porque, como ex-integrantes da Corte Militar, eles têm pleno conhecimento de como seus pares julgam neste caso. O Ministério da Defesa e os comandos militares ainda estão discutindo internamente com que base legal os militares podem ser punidos. Várias reuniões foram convocadas pelo ministro da Defesa, Celso Amorim, e os comandantes militares nos últimos dias para discutir o assunto. Mas há divergências de como aplicar as punições. A Defesa entende que houve "ofensa à autoridade da cadeia de comando", incluindo aí a presidente Dilma e o ministro da Defesa. Amorim tem endossado esta tese e alimentado a presidente com estas informações. O ministro entende que os militares não estão emitindo opiniões na nota, mas sim atacando e criticando seus superiores hierárquicos, em um claro desrespeito ao Estatuto do Militar. Só que, nos comandos, há diferentes pontos de vista sobre a lei 7.524, de 17 de julho de 1986, assinada pelo ex-presidente José Sarney, que diz que os militares da reserva podem se manifestar politicamente e não estão sujeitos a reprimendas. No artigo primeiro da lei está escrito que "respeitados os limites estabelecidos na lei civil, é facultado ao militar inativo, independentemente das disposições constantes dos Regulamentos Disciplinares das Forças Armadas, opinar livremente sobre assunto político, e externar pensamento e conceito ideológico, filosófico ou relativo à matéria pertinente ao interesse público". Esta legislação acabou dando origem a Súmula 56 do Supremo Tribunal Federal. Esta zona cinzenta entre as legislações, de acordo com informações obtidas junto a militares, poderá levar os comandantes a serem processados por danos morais e abuso de autoridade, quando aplicarem a punição de repreensão, determinada por Dilma. Nos comandos, há a preocupação, ainda, com o fato de que a lista de adeptos do manifesto só cresce o que faria com que este tema virasse uma bola da neve, já que as adesões são cada vez mais consistentes. (Do Estadão)

São Paulo: enquanto Alckmin põe guardiões para cuidar do dinheiro, Dilma entrega a chave do cofre para Haddad.

                         

     Dirceu Ayres

Para que serve o Ministério da Pesca e Aqüicultura? Serve para garantir a bênção dos evangélicos da Igreja Universal à candidatura do petista Fernando Haddad à Prefeitura de São Paulo. Simples assim, a presidente Dilma Rousseff entregou ao bispo Marcelo Crivella (PRB-RJ) a pasta até agora ocupada por um petista. Mas o sacrifício deve valer a pena: além de o PT se livrar da incômoda gritaria dos evangélicos da Universal em torno de delicados temas religiosos, o candidato imposto por Lula ganha a possibilidade de vir a contar com o apoio do PRB - que, por enquanto, permanece no páreo, com o deputado Celso Russomanno num surpreendente primeiro lugar nas pesquisas de intenção de voto. Mas isso é mero detalhe. O que importa é que se escancara o ingresso, de sola, do Palácio do Planalto na campanha eleitoral paulistana. E trata-se apenas do começo.
A cada dia que passa - e estamos a sete meses do pleito - as impressões digitais de Lula se tornam mais nítidas na estratégia eleitoral que tem como objetivo consagrar a hegemonia do lulopetismo em todo o País. Para isso é imprescindível derrotar seus adversários nos redutos mais importantes que ainda lhes fazem alguma resistência: a cidade e o Estado de São Paulo. Este fica para daqui a dois anos. Essa estratégia não vai custar barato para o PT - a senadora Marta Suplicy e o defenestrado ministro Luiz Sergio que o digam -, mas Lula já deixou claro que está disposto a pagar o preço que for necessário. Cacife não lhe falta e Dilma Rousseff acaba de comprová-lo, com a presteza com que se dispôs a entrar no jogo e procurar o chefão em São Bernardo para, num encontro de quase três horas, pedir conselhos e receber novas instruções. Mas teve que ouvir calada o novo membro do Gabinete dizer, com inegável senso de humor, que, embora ministro da Pesca, não sabe nem "colocar minhoca no anzol". O que não tem a menor importância, já que essa pescaria nada tem a ver com peixes. Toda a encenação que fez o pano de fundo da triunfante entrada do bispo Crivella em cena criou em Brasília uma situação política tão desfrutável que propiciou manifestações que foram do deboche ao puro cinismo. Deste se encarregou a ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti: "É a incorporação efetiva (ao primeiro escalão do governo) de um aliado. Mas não traremos disputas locais para o âmbito federal". Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), ex-petista e ex-ministro de Lula, optou pela zombaria: "O governo resolveu pôr na Pesca um pescador de almas, que ainda vai andar sobre as águas". Como levar a sério o que se passa em tal ambiente político? O eleitor paulistano pode se preparar, portanto, para uma das campanhas eleitorais mais disputadas e extravagantes da história da cidade, na qual, pelo andar da carruagem, a ética e os bons modos certamente acabarão sendo deixados de lado. As evidências disso se acumulam. Em manobra rasteira claramente destinada a cacifar poder de barganha com o governo, o mensaleiro Waldemar da Costa Neto, dono do PR, explora a ingenuidade do folclórico e muito bem votado deputado Tiririca, lançando-o candidato a prefeito de São Paulo. O homem já se sente "prefeito do povão". E o jovem e ambicioso deputado Gabriel Chalita não faz feio nessa galharda companhia: depois de transitar por três partidos em menos de dois anos, finalmente encontrou um que se dispôs a lançá-lo a um cargo executivo e anuncia orgulhoso: "Eu tenho uma cara só". O saldo desse circo de horrores é que a cidade de São Paulo, com todos os graves problemas sociais e urbanos que aqui se agravam, corre o risco de se tornar a vítima de uma longa campanha eleitoral que tende a passar ao largo do debate das questões que realmente interessam aos seus mais de 10 milhões de habitantes. A federalização do pleito de outubro é inevitável, e em certa medida até desejável, porque aqui estará sendo decidido o futuro político do País a curto e médio prazos. Mas é preciso que os candidatos não se esqueçam de que, apurados os votos, o vencedor terá de enfrentar a enorme responsabilidade de governar a cidade. (Editorial do Estadão)

Chororô...


                                              

     Dirceu Ayres

O choro (Dilma chora muito raramente) de Dilma Roussef não teve nada de emotivo, mas teve muito de emoção, sentimento causado neste caso pelas pressões que ela sofre e diante das quais pouco pode fazer. Pela primeira vez na sua vida, Dilma não tem a quem recorrer, senão a si mesma, o que é alguma coisa tormentosa para uma tecnoburocrata, no caso de forte viés político, mas ainda assim uma tecnoburocrata acostumada a seguir ordens e ter alguém a quem recorrer em caso de dificuldade - ou fugir, quando estiver sem respaldo. Quem conhece Dilma, sabe do que fala o editor. O caso do manifesto anti-PT do PMDB foi apenas um dissabor, entre tantos dissabores pelos quais ela passou esta semana. Com um discurso cheio de recados, Dilma respondeu à crítica do manifesto do PMDB de que há uma "relação desigual" entre os parceiros, pois o processo de decisão no Planalto "não passa pela discussão" com os aliados. "Eu queria dizer para vocês que o que distingue o presidencialismo é que, nesse sistema, as decisões são responsabilidade e pesam sobre as costas da pessoa que é chefe de Estado e de governo", insistiu Dilma. "Cabe ao presidente ouvir, consultar, avaliar e decidir, mas também cabe ao presidente construir a equipe que divide esse fardo." Emocionada, ela chorou ao citar o petista Luiz Sérgio. Ao dizer que o presidente tem o dever de administrar para todos, "inclusive para os que não votaram nele", Dilma procurou debelar os focos de incêndio na base. "É possível e é necessário (...) falar para todos os brasileiros mesmo que você se apoie numa coalizão e numa aliança." Após o discurso de Dilma, o senador Valdir Raupp (RO), presidente do PMDB, disse que o manifesto do partido - subscrito por 45 de 76 deputados - não significa ruptura com o governo. "É mais alerta porque a insatisfação da bancada começa pelas eleições municipais, já que há um trabalho intenso do PT para neutralizar candidaturas do PMDB." (Blog coturno noturno)