quarta-feira, 6 de junho de 2012

“Phod@-se” o Brasil

     

     Dirceu Ayres

Não há mais dúvida sobre a tentativa indecorosa de Lula em interferir no julgamento do mensalão. O assédio do ex-presidente foi confirmado por alguns outros ministros do Supremo e sua atitude não deveria ser surpresa a ninguém. Em seu primeiro ano de governo, ao ser informado que a Constituição não o permitia expulsar do país um jornalista norte-americano que relatou seu apreço pelo álcool, Lula exclamou: “foda-se a Constituição”. Essa expressão foi a que regeu seus dois governos, aliás, foi a regente de sua vida. “Foda-se”. Já comentei antes com vocês e sempre volto nesse tema. Lula não tem noção de moral ou de ética simplesmente por não ter sido programado para isso. Lula não recebeu referência desses conceitos básicos. Para Lula, transgredir regras é “driblar o destino”, é “se dar bem”, “ser esperto”. Há tempos que me convenci que Luiz Inácio é um salafrário congênito. Foi programado desde antes da concepção para ser um delinqüente. Para sua família, achado nunca foi roubado. E o produto de um roubo, se usado para fins eleitos pela família como nobres, é perdoado e exaltado. O livro com a biografia de Lula, apesar de romancear passagens de sua vida, revela o ambiente delinqüente e sem parâmetros de moralidade em que Lula se criou, onde o roubo e o desvio de conduta eram encarados como sorte, como uma esperteza ou malandragem a ser utilizada como um drible à pobreza. Não há em sua programação princípios fundamentais como o respeito ao próximo. Lula é uma massa amorfa moldada pelo que há de pior no ser humano. E seus dois governos foram assim. Por ignorância, má fé ou simplesmente por amoralidade, tentou desestabilizar todas as Instituições democráticas. De Agências Reguladoras, Congresso Nacional e Justiça, seu governo tentou desmoralizar, infelizmente com algum êxito, é verdade. Lula não driblou seu destino, como gosta de afirmar sua malta. Ele forjou uma vida se apossando do que não é dele. Foi programado para isso. Para não ter caráter e “foda-se” o resto. prosaepolitica Vindo dos Pampas

Polícia diz ter indícios de que executivo da Yoki traía a mulher


     Dirceu Ayres

A Polícia Civil de São Paulo disse ter levantado indícios concretos de que o executivo Marcos Kitano Matsunaga, 42, que foi morto e teve o corpo esquartejado, traía a mulher. Elise Ramos Kitano Matsunaga, 38, foi presa na noite desta segunda-feira (4) apontada como suspeita do crime --ela ainda não foi ouvida formalmente, mas nega qualquer participação. "Tudo indica que seja um crime passional", disse o delegado Jorge Carrasco, chefe do DHPP (Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa), que investiga o caso. O corpo dele --diretor-executivo da Yoki, uma das maiores empresas do ramo alimentício do país-- foi esquartejado e, ao longo das últimas semanas, as partes foram desovadas ao lado de uma estrada, em Cotia (Grande São Paulo). O empresário havia desaparecido no dia 20 de maio. No dia seguinte, o primeiro pedaço de corpo foi encontrado. A última parte a ser encontrada foi a cabeça, que permitiu que o reconhecimento da vítima fosse feito pelo seu irmão, no dia 28. Carrasco afirmou ainda que há indícios concretos de que outras pessoas ajudaram Elise a desovar as partes do corpo de seu marido. Elise Ramos Kitano Matsunaga, 38, suspeita de ter matado o executivo da Yoki Marcos Kitano Matsunaga, 42
O CRIME:  A polícia analisou imagens de câmeras de segurança do prédio. No sábado (19), o casal, a babá e a filha do casal, de um ano, chegam ao apartamento por volta das 18h30. A babá é dispensada e vai embora logo em seguida. Cerca de uma hora depois, Marcos desce até a portaria para pegar uma pizza. Ele estava com a mesma roupa --uma camisa marrom-- encontrada pela polícia nos locais onde pedaços de seu corpo foram deixados. Às 5h de domingo (20), a babá chega ao apartamento --ao qual ela possui acesso limitado, não podendo circular por todos os cômodos. Por volta das 11h30, Elise desce até a garagem, pelo elevador de serviço, com três malas. Às 23h50, ela retorna sem as malas. Segundo a polícia, ela afirmou que esqueceu as malas no carro. "O fato é que ele entrou no apartamento vivo e de lá não saiu", resumiu Carrasco. OS INDÍCIOS: Segundo a polícia, Matsunaga era colecionador de armas e, após se desaparecimento, Elise entregou à Guarda Municipal de Cotia algumas armas que pertenciam a ele para que fossem destruídas. Entre elas estava uma de calibre 7.65, idêntico ao usado no tiro à queima-roupa que atingiu o lado esquerdo da cabeça da vítima. Carrasco disse também que no apartamento do casal existem várias geladeiras, "verdadeiras câmaras frigoríficas", que estão sendo periciadas. A polícia acredita que as partes do corpo de Matsunaga ficaram em algum tipo de refrigerador antes de serem jogadas em Cotia. A polícia também encontrou no imóvel sacos de lixo de modelo idêntico ao usado para embalar as partes do corpo da vítima. Segundo o delegado Carrasco, são sacos muito incomuns, provavelmente importados, que possuem um filete vermelho na extremidade. Os peritos que analisaram as partes do corpo afirmam que os cortes foram feitos com extrema precisão. A polícia afirma que Elise, que é bacharel em direito, possui curso técnico de enfermagem. Além disso, ela é beneficiária de um seguro de vida feito recentemente pelo executivo, no valor de R$ 600 mil. Elise foi presa com um mandado de prisão temporária, de cinco dias, mas a polícia afirma que pode pedir à Justiça uma prorrogação. DARIO DE NEGREIROS COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

terça-feira, 5 de junho de 2012

JULGAMENTO DO MENSALÃO ESTARIA DESESTABILIZANDO EMOCIONALMENTE LULA


  Dirceu Ayres


Lula: reações e modos estranhos  A proximidade do julgamento do mensalão parece estar desestabilizando emocionalmente o ex-presidente Lula, que se tem esmerado nos últimos dias em explicitar uma truculência política que antes era dissimulada em público, ou maquiada. Nessa fase em que trabalha em dois projetos que se cruzam e parecem vitais para seu futuro, tamanha a intensidade com que se dedica a eles, Lula não tem tido cuidados com as aparências, e arrisca-se além do que sua experiência recomendaria. A pressão sobre ministros do STF, a convocação da CPI do Cachoeira, com direito a cartilha de procedimentos com os alvos preferenciais identificados ( STF, imprensa, oposição) e as atitudes messiânicas, sempre colocando-se como o centro do universos político, revelam a alma autoritária deste ex-presidente ansioso pela ribalta política. A eleição de Fernando Haddad para a Prefeitura de São Paulo e a obsessão em desmoralizar o julgamento do mensalão - já que não conseguiu adiá-lo para que seus resultados não interferissem na eleição municipal e, além disso, a prescrição das penas resolvesse grande parte dos problemas judiciais do PT -pareciam as duas grandes tarefas do ex-presidente Lula neste momento. Mas ele,de voz própria, revelou seu verdadeiro objetivo político no programa do Ratinho: não permitir que um tucano volte a governar o país. Nunca antes nesse país viu-se um político assumir tão abertamente uma postura despótica, quase ditatorial, quanto a de Lula nessa cruzada nacional contra os tucanos, que tem na disputa pela capital paulista seu ponto decisivo. O PT, aliás, tem seguido a mesma batida de Lula, e se revela a cada instante um partido que não tem como objetivo programas de governo ou projetos nacionais para o país. A luta política pelo poder escancara posturas ditatoriais em todos os níveis, e para mantê-lo vale tudo. Desde rasgar a legislação eleitoral e fazer propaganda ilegal em emissora de televisão na tentativa de desatolar uma candidatura que até agora não demonstra capacidade de competição, até intervenções em diretórios que não obedecem à orientação nacional, como aconteceu agora mesmo em Recife. Do blog de Merval Pereira -

COMO LULA TENTOU CONSTRANGER GILMAR MENDES


     Dirceu Ayres

Desde que deixou o governo, o ex-presidente Lula se empenha em apagar da história o capítulo do mensalão, o esquema de compra de apoio parlamentar criado pelos petistas para ganhar a simpatia de parlamentares e abastecer as campanhas políticas do PT e de aliados com dinheiro sujo. Durante algum tempo, Lula repetiu a tese de que o mensalão não passou de caixa dois, que, na visão dele, seria um crime menor e corriqueiro na política brasileira. Mais recentemente, porém, Lula abandonou a tese do caixa dois e se entregou à pregação messiânica de que o mensalão foi uma grande farsa tramada contra ele por setores da oposição e da imprensa. O esforço para reescrever a história é tão grande que o ex-presidente patrocinou a criação da CPI do Cachoeira, estabelecendo como objetivo explícito criar um fato novo capaz de enfumaçar o julgamento do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Essas estratégias são conhecidas. A novidade é que, como elas não surtiram o efeito desejado, entrou em pauta um plano B, um conjunto de ações temerárias que consistem na abordagem direta ou indireta dos ministros do STF. Lula tomou para si essa missão. Enquanto foi presidente da República, Lula indicou seis dos atuais onze ministros do STF que julgarão os 36 réus do mensalão — entre eles o deputado cassado José Dirceu, grão-petista apontado como "chefe da organização criminosa" pela Procuradoria-Geral da República. Em conversas diretas ou por intermédio de interlocutores, Lula cobra dos ministros o adiamento do início do julgamento, o que significaria a prescrição de muitos dos crimes. Nessa sua cruzada, o ex-presidente da República põe todo o peso de sua influência, mas arrisca-se a perder parte de seu prestígio. Há um mês, o ministro Gilmar Mendes, do STF, foi convidado para uma conversa com Lula em Brasília. O encontro foi realizado no escritório de advocacia do ex-presidente do STF e ex-ministro da Justiça Nelson Jobim, amigo comum dos dois. Depois de algumas amenidades, Lula foi ao ponto que lhe interessava e disse a Gilmar: "É inconveniente julgar esse processo agora". O argumento do ex-presidente foi que seria mais correto esperar passar as eleições municipais de outubro deste ano e só depois julgar a ação que tanto preocupa o PT, partido que tem o objetivo declarado de conquistar 1 000 prefeituras nas urnas.  Para espíritos mais sensíveis, Lula já teria sido indecoroso simplesmente por sugerir a um ministro do STF o adiamento de julgamento do interesse de seu partido. Mas vá lá. Até aí estaria tudo dentro do entendimento mais amplo do que seja uma ação republicana. Mas o ex-presidente cruzaria a fina linha que divide um encontro desse tipo entre uma conversa aceitável e um evidente constrangimento. Depois de afirmar que detém o controle político da CPI do Cachoeira, Lula, magnanimamente, ofereceu proteção ao ministro Gilmar Mendes, dizendo que ele não teria motivo para preocupação com as investigações. O recado foi decodificado. Se Gilmar aceitasse ajudar os mensaleiros, ele seria blindado na CPI. Desocupando a cena, o que se tem é um ex-presidente oferecendo salvo-conduto a um ministro da mais alta corte do país, como se o Brasil fosse uma nação de beduínos do século XIX com sua sorte entregue aos humores de um califa. "Fiquei perplexo com o comportamento e as insinuações despropositadas do presidente Lula", disse Gilmar Mendes a VEJA. O ministro defende a realização do julgamento neste semestre para evitar a prescrição dos crimes. A certa altura da conversa com Mendes, Lula perguntou: "E a viagem a Berlim?". Ele se referia a boatos de que o ministro e o senador Demóstenes Torres teriam viajado para a Alemanha à custa de Carlos Cachoeira e usado um avião cedido pelo contraventor. Em resposta, o ministro confirmou o encontro com o senador em Berlim, mas disse que pagou de seu bolso todas as suas despesas, tendo como comprovar a origem dos recursos. "Vou a Berlim como você vai a São Bernardo. Minha filha mora lá", disse Gilmar, que, sentindo-se constrangido, desabafou com ex-presidente: "Vá fundo na CPI". O ministro Gilmar relatou o encontro a dois senadores, ao procurador-geral da República e ao advogado-geral da União. Clique AQUI para continuar lendo a reportagem na íntegra! O INDECOROSO E ARROGANTE

Líder do PT mente, mas admite cartilha do "terrorismo político" na CPMI.


    

   Dirceu Ayres


Jilmar Tatto chamou de "apócrifo" guia elaborado pelo partido para orientar a atuação dos parlamentares durante a CPI do Cachoeira.Mas mentiu. O líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto: apoio incondicional A edição desta semana de VEJA revela a existência de um documento, produzido pelo PT, que define os alvos do partido na CPI do Cachoeira. Ali estão explicações didáticas sobre como atingir os adversários anteriormente elencados pelo líder máximo do partido, Luiz Inácio Lula da Silva: a imprensa, a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal – especificamente o ministro Gilmar Mendes – com objetivo de melar o julgamento do mensalão. Num esboço de reação à reportagem, o líder do PT na Câmara, Jilmar Tatto (SP), resolveu negar os fatos: "VEJA fala de um documento do PT, mas não está assinado, é apócrifo", disse ele à Folha de S.Paulo. Tatto mentiu.E quem prova isso? Jilmar Tatto. Ouvido por VEJA antes da publicação da matéria, ele confirmou que o material havia sido produzido para o uso dos parlamentares petistas na Comissão Parlamentar de Inquérito. "Todos os servidores da liderança do PT na Câmara e dos gabinetes dos 84 deputados estão à disposição do partido na CPI", disse. (Daniel Pereira e Gabriel Castro) BLOG DO MARIO FORTES

"Dedaço" de Marta na cara do PT bota partido em desespero.


    Dirceu Ayres

A Marta está errando politicamente. A ausência dela materializa algo muito grave. Ela renuncia à sua liderança política no momento em que o PT mais precisa dela.' Bastante incomodado com a ausência da senadora Marta Suplicy (PT-SP) na pré-campanha de Fernando Haddad em São Paulo, o presidente do PT paulista, Edinho Silva, deixa claro, em entrevista ao Estado, o desconforto que diversos líderes petistas manifestam nos bastidores há meses. No sábado, Marta, que evita a campanha desde o começo, faltou ao evento que oficializou a candidatura de Haddad. 'O que a sociedade, as lideranças do PT e inclusive o (ex) presidente Lula e a presidenta Dilma esperam dela é que ela entenda o projeto político que está em disputa na capital paulista e cumpra o papel de liderança nesse processo.' Que avaliação o sr. faz da ausência da senadora Marta Suplicy da pré-campanha de Fernando Haddad? Todos nós sentimos muito a ausência da Marta. Ela foi a melhor prefeita da história de São Paulo. Sinto, porque acho que a Marta está errando politicamente. Ela se construiu como uma das maiores lideranças do PT no Brasil por méritos próprios. Mas é também fruto de um projeto coletivo chamado Partido dos Trabalhadores. A ausência materializa algo muito grave. Ela renuncia à sua liderança política no momento em que o PT mais precisa dela na cidade de São Paulo, e não só aos olhos da militância do PT, mas da sociedade paulistana, paulista e brasileira. É um erro gravíssimo. Isso significa que o PT está abrindo mão da senadora na campanha de Haddad? Nunca abriremos mão da participação da Marta por tudo o que ela representa. Mas não tenho nenhuma dúvida de que a minha fala chama a atenção da Marta para que ela reveja essas posições e entenda que o PT e o Fernando Haddad precisam dela neste momento. A sociedade paulista precisa da sua força política, da experiência que ela teve como prefeita, para que a gente possa construir um projeto que represente saídas do ponto de vista das políticas públicas, principalmente para os setores que mais precisam na cidade de São Paulo. O que explica a ausência da Marta? Ressentimento? Não entendo o que gerou a ausência dela, mas repito: penso que ela, uma mulher inteligentíssima, extremamente capaz, comete um grave erro político. Evidente que a sua liderança é fundamental pra que a gente possa enfrentar as eleições de 2012. Mas, no meu entender, no momento em que o (ex) presidente Lula entra na campanha, os prefeitos, as nossas lideranças, a presidenta Dilma, ela acaba criando o seu autoisolamento nesse processo. O PT tem buscado a Marta para conversar? Não sei quem são aqueles que estão discutindo política com a senadora e estão ajudando na sua reflexão. Mas não tenho nenhuma dúvida de que poucas vezes na minha vida dentro do PT vi uma liderança política cometer erros tão graves do ponto de vista da formulação política. A Marta é maior do que qualquer questão que possa existir neste momento, como ressentimento ou algo que alguém falou e que ela não tenha gostado. Ela é uma liderança de primeira grandeza. O que a sociedade, as lideranças do PT e inclusive o presidente Lula e a presidenta Dilma esperam dela é que ela entenda o projeto político que está em disputa na capital de São Paulo e que ela cumpra o papel de liderança nesse processo e não provoque o seu autoisolamento e a sua autorrenúncia como liderança. A ausência dela pode comprometer a eleição de Fernando Haddad? O PT representa um projeto coletivo. A maior liderança desse projeto hoje é o presidente Lula ao lado da presidenta Dilma. Esse projeto é construído desde as nossas lideranças de maior grandeza até os militantes de base, que estão lá no diretório zonal defendendo a bandeira do PT. Evidente que a Marta faz muita falta nesse processo. Nesse início de campanha ela faz uma falta estupenda. Se ela entrar, a candidatura do Haddad ganha outra musculatura. Mas se ela infelizmente não entrar, por mais que fiquemos sentidos, vamos buscar a superação disso na força do projeto coletivo. (Estadão)

Lewandowski tem de saber que chegou a hora. Ou: Estaria o ministro preparando um “Relatório do B”?

    


     Dirceu Ayres

Está nas mãos do ministro Ricardo Lewandowski produzir um grande bem ao país ou contribuir para a desmoralização do Poder Judiciário. Refiro-me, é evidente, ao processo do mensalão. Todos os membros da Corte que se pronunciaram já deixaram claro ter plenas condições de julgar. Afinal, conhecem o caso, o processo, tudo. O Artigo 25 do Regimento Interno do Supremo estabelece as funções do revisor: Art. 25. Compete ao Revisor: I - sugerir ao Relator medidas ordinatórias do processo que tenham sido omitidas; II - confirmar, completar ou retificar o relatório; III - pedir dia para julgamento dos feitos nos quais estiver habilitado a proferir voto. Trabalhoso? Sem dúvida! Ainda que Lewandowski decida oferecer um outro ponto de vista, que não o de Joaquim Barbosa, já tem todas as informações de que precisa e pode contar com uma ampla equipe para auxiliá-lo. Numa entrevista ao Estadão no dia 19 de abril, indagado sobre o seu papel, ele deu uma resposta um pouco esquisita. Leiam: O sr. é revisor. Seu papel não seria secundário no processo? Pelo contrário. O papel do revisor é dos mais importantes, segundo o próprio regimento interno do Supremo Tribunal Federal. Não se restringe apenas a revisar os procedimentos formais adotados pelo relator ou conferir o relatório que ele elaborou. Compete ao revisor preparar um voto completo, em pé de igualdade com o do relator, para trazer outro ponto de vista sobre o processo para os colegas. É importante deixar claro que a função do revisor não consiste em examinar o voto do relator. Aliás, nem sequer conheço o voto que o ministro Joaquim Barbosa está redigindo. Pois é… A íntegra do Regimento Interno está aqui. Eu não encontrei nada que sugira que compete ao revisor, necessariamente, “trazer outro ponto de vista” sobre o processo. Segundo o Inciso II do Artigo 25, transcrito acima, ele até pode propor a retificação — trata-se de uma de três possibilidades, não de uma tarefa a ser cumprida. A diferença faz toda a diferença. Também acho estranho alguém que tem a atribuição de apontar eventuais “medidas ordinatórias do processo que tenham sido omitidas” afirmar que desconhece o trabalho do relator. Como apontar falhas naquilo que se afirma desconhecer? Estaria Lewandowski demorando tanto porque, com efeito, resolveu ser, em vez de revisor, um “relator do B”, alternativo, tentando fazer o seu trabalho não só ombrear com o do colega Joaquim Barbosa, mas competir com ele? Seja como for, boa parte das tensões que andam por aí se diluiria se Lewandowski tivesse claro, a exemplo da maioria dos brasileiros, que esse caso já foi longe demais. Hora de votar ministro! Ainda que o senhor apresente um “Relatório do B”. E que fique claro: eu não estou entre aqueles que acham que os mensaleiros serão necessariamente condenados, dada a composição que temos do Supremo. Mas acho, sim, que, caso eventuais chicanas tentem postergar o julgamento, de sorte a esperar a substituição de dois ministros, a instituição é que estará sendo desmoralizada. Essa demora está criando tensões e crispações políticas inúteis. Já se esperou acontecer o que chega, ministro Lewandowski. Fez-se a hora! Texto publicado originalmente às 4h24 Por Reinaldo Azevedo.