sábado, 16 de junho de 2012

LULA AGORA ESTÁ MUITO MAIS CONVICTO QUE PODE ENGANAR TODO MUNDO O TEMPO TODO


     Dirceu Ayres

Muito boa a crônica do Nelson Motta publicada no Estadão. É dos poucos cronistas da grande imprensa brasileira que não costuma escrever história de carochinha. Vai ao ponto. O título original é "O craque e o espelho". Todavia pincei a penúltima frase da crônica transformando-a no título deste post. Vale a pena ler: Pisando na bola, errando passes, falhando nos desarmes, atropelando seus próprios companheiros de time e, em lance inusitado, tentando driblar até o juiz, para usar as metáforas futebolísticas que lhe são caras, Lula sem barba está parecendo um Sansão sem cabelos. E a Dalila a lhe cortar a força não é a doença, mas sua própria vaidade. Enfrentar o câncer e a morte, e sobreviver, talvez tenha lhe provocado o efeito colateral de aumentar a sua onipotência e fazê-lo vítima de sua já desmesurada vaidade. Ao lado de Sérgio Cabral e Eduardo Paes, Lula foi flagrado em mais um impedimento clamoroso no futebol político. "É com muito orgulho que eu posso dizer ao povo do Rio de Janeiro: um dia tive a coragem de ir para a televisão e pedir votos para este moço." A vaidade de Lula é tanta que ele se sente orgulhoso do que qualquer um se envergonharia, chamando de coragem pedir votos para um moleque que detestava, que era secretário-geral do PSDB e havia infernizado a sua vida e dos petistas na CPI dos Correios, e pior, tinha denunciado seu filho Fábio Luis como beneficiário de uma associação suspeita com a Brasil Telecom, que o fazia ainda mais odiado por dona Marisa Letícia. Dobrar a ira da mãe e a decepção do filho em nome da política e da luta pelo poder não dá para orgulhar ninguém. Cometendo faltas e culpando o adversário, pressionando o juiz e insuflando a arquibancada, Lula prende demais a bola e centraliza todas as jogadas, mas erra na distribuição e não consegue armar os contra-ataques. O craque dos palanques está em fase mais para Ronaldinho Gaúcho do que para Fenômeno. Disse que pouco conhecia Eduardo Paes em 2008 e por isso tinha dúvida em apoiá-lo, mas foi convencido por Sérgio Cabral: "Não me arrependo de ter pedido voto para ele e farei isso em 2012 com muito mais convicção". Assim como não sabia do mensalão, Lula não conhecia um dos oposicionistas que mais o denunciavam. Assim como José Dirceu está cada vez mais convencido de sua inocência, Lula agora está muito mais convicto de que pode enganar todo mundo o tempo todo. Assim não há teflon que aguente. ALUZIO AMORIM

Cascatinha e Cachoeira.


    Dirceu Ayres

Odair Cunha é o Cascatinha, o meu garoto do PT... Com os trabalhos da CPI do Cachoeira em baixa, o relator Odair Cunha (PT-MG) vai se dedicar, na semana que vem, a um treino intensivo com delegados da Polícia Federal e promotores para aprender a inquirir os depoentes. As "aulinhas" vão acontecer depois dos depoimentos dos governadores de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), e do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), que evidenciaram a falta de traquejo de Cunha. "Vai ser um intensivão. Como não sou desse mundo da investigação, é preciso fazer um treinamento de investigação, saber quais são as técnicas", explicou o relator. "Não é esse negócio de pergunta e resposta", disse. Assim como ele, os governadores também fizeram intensivos para "fazer bonito" na CPI: Perillo treinou exaustivamente com assessores sua fala na comissão, enquanto Agnelo foi preparado pela profissional de mídia training Olga Curado. O treinamento de Cunha na próxima semana será possível porque a CPI vai dar uma parada nas sessões de depoimento e administrativas para votar requerimentos. O motivo para o "recesso branco" é a Conferência Rio +20 e as festas juninas, freqüentadas principalmente por parlamentares do Nordeste. Sem sessões, Odair Cunha pretende centrar o trabalho na análise de documentos. Integrantes da CPI pretendem reunir-se com o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, para reclamar da demora do envio de quebras de sigilos bancário e fiscal. Também deverão se encontrar com a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para solicitar o envio de informações sobre o laboratório farmacêutico Vitapan, de propriedade da família do contraventor Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira. O recesso da semana que vem CPI vai servir para amainar os ânimos na CPI. Nesta sexta, o líder do PSDB no Senado, Álvaro Dias (PR), defendeu o desligamento de parlamentares da comissão que almoçaram, em Paris, com o ex-presidente da Delta Construções Fernando Cavendish. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), que votou contra a convocação do empresário, e o deputado Maurício Quintella (PR-AL) admitiram ter se encontrado com Cavendish, durante a Semana Santa, na França, depois de uma viagem oficial a Uganda. "O mais adequado seria os que estão sob suspeição pedirem para sair da CPI", afirmou Dias. "O correto teria sido eles se declararem impedidos de deliberar sobre o tema", disse o tucano. (Estadão)

Haddad renova e inova com Erundina 77 e Maluf 80.

                
    Dirceu Ayres        

É meus amigos, votar em Fernando Haddad para prefeito de São Paulo é renovar. Renovar as esperanças de que um dia este povinho de merda da pocilga acorde e coloque essa bandidalha para correr. Haddad vem renovando de verdade em sua campanha, sai com Erundina de Vice em sua chapa. Agora recebe o apoio do velho e conhecido ex prefeito, ex governador, ex deputado, ex candidato a presidente e ex presidiário, Paóló Malóf. Como se isso não bastasse, ainda corre atrás do apoio da ex prefeita Marta Suplício. O EX presidente Defuntus Sebentus percebeu que não tinha nomes dentro do PT para jogar na corrida eleitoral por SP a não ser a desgastada e desprestigiada Marta Suplicy, porque todos os "caciques" PTralhas possíveis estão enrolados na justiça de alguma forma. E como a fórmula Dilmarionete deu certo no governo Fedemal, o todo poderoso resolve colocar outro mamulengo fiel as suas ordens Fernando Haddad. Ou seja, o Sebento que já é a iminência parda do governo Dilmarionete pretende se-lo também no governo Hadadengo, caso o candidato 3% consiga subir nas pesquisas. E para isso Sebentão renova, inova e moderniza a política paulista lançando Erundina de vice e Malóf no apoio à candidatura, e ainda ora diariamente para que Marta a menina birrenta do PT pare de manha e venha para a quadrilha. Na verdade o PT inovou e renovou sim! O fez quando passou a aceitar apoio dos que por decadas foram, seus inimigos, Maluf, Sarney, Collor entre outros. E o mais legal é ver que Erundina foi defenestrada do PT a pontapés no rabo por ter aceito um ministério no governo Itamar, hoje aceita na maior falta de vergonha e dignidade ser vice na chapa do partido que por pouco não arrasou com sua carreira política. Olhando as alianças que o PT tem feito para se manter ou chegar ao poder, conclui-se que quem vota nesse bando não tem a mínima idéia do que seja democracia. A impressão que passa é que todo eleitor do PT ou é retardado, ou é idiota mesmo. O PT pós Sebento se tornou uma agremiação de mafiosos que trabalha apenas pensando em se manter no poder, que faz qualquer negócio por uma eleição, até se juntar a bandoleiros e bandidos em troca de mais um segundo em tempo de TV. Os que se juntam ao PT sabemos que são esses de sempre, políticos decadentes que ainda conseguem votos de gentinha sem noção que não imagina para que serve um título de eleitor. Malóf provavelmente cai no ficha limpa e sua carreira política é vôo de galinha, Erundina aos 77 do segundo tempo não tem mais gás nem idéias arejadas para mudar alguma coisa, vai levando seus carguinhos políticos à espera do dia do juízo final. E a "renovação" que vem com a eleição do Haddad, nada mais é que a construção da trampolinagem e da má fé política para servir a arrogante vaidade Sebentobatraquiana. E a oposição se lamentando por perder o apoio do Paóló Malóf...Uma oposição dessas tem mais é que ser extirpada de vez da política. São Paulo perde com as alianças do PT e com a inércia da oposição. Os políticos resolveram entre eles que irão viver de costas para a população, farão alianças e conchavos bizarros, até se tornarem definitivamente os donos dos corações e mentes daqueles que não enxergam um palmo diante do próprio nariz. E PHODA-SE!!! (O MASCATE)

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Kátia Abreu: acabou a hegemonia das ONGs.


    Dirceu Ayres


Uma das principais lideranças da bancada ruralista, grupo parlamentar acusado por ambientalistas de patrocinar o desmatamento no país, a senadora Kátia Abreu (PSD-TO) defende os produtores rurais das críticas e diz que o agronegócio nacional exibirá na Rio+20 práticas sustentáveis. Ela própria uma pecuarista – em 1987, assumiu a fazenda do marido, morto em acidente de avião –, Abreu diz que o Código Florestal recentemente assinado pela presidente Dilma Rousseff trouxe dois grandes benefícios ao setor: deu segurança jurídica aos produtores e "tirou a hegemonia das ONGs, que faziam mudanças (na legislação ambiental) através do Ministério do Meio Ambiente, via decretos".  Leia, a seguir, os principais trechos da entrevista da senadora à BBC Brasil: BBC Brasil - O agronegócio é apontado por ambientalistas e outros setores da sociedade brasileira como um dos principais patrocinadores do desmatamento no país. O que o setor tem a dizer na Rio+20?
Kátia Abreu - Temos motivos de sobra para nos orgulhar. Produzimos uma das melhores e maiores agriculturas do planeta em 27% do território, preservando 61% dos nosso biomas. E com a menor taxa de desmatamento dos últimos 40 anos, talvez. Não temos do que nos envergonhar.
É primeira vez que uma conferência ambiental incorpora a questão alimentar. Estamos muito felizes com isso. Queremos mostrar a todos os nossos projetos na área ambiental, nossas técnicas de produção de agricultura de baixo carbono, que ninguém no mundo está fazendo. Tenho percorrido o mundo todo e visto as pessoas impressionadíssimas com o potencial brasileiro de produção de alimentos.
BBC Brasil - O agronegócio é um dos setores mais lucrativos da economia brasileira, e o crescimento da população está estabilizando. É preciso continuar aumentando a produção? Kátia Abreu - Sim, precisamos, inclusive para atender à recomendação da FAO (Agência da ONU para Agricultura e Segurança Alimentar) de que em 2050 o Brasil precisará ter aumentado sua produção em 40%. Mas podemos aumentar no mesmo espaço de chão que temos hoje.
BBC Brasil - Sem ampliar as terras de plantio?
Kátia Abreu - Sim. Hoje muito poucos produtores têm interesse em desmatar, mesmo o legalmente permitido. Já estão nos seus limites. O interesse deles é produzir mais, aumentar a produtividade.
BBC Brasil - Mas os ruralistas não têm defendido diminuir os percentuais de proteção obrigatória (Reserva Legal) das propriedades, que variam conforme o bioma e chegam a 80% na Amazônia?
Kátia Abreu - Não, na Amazônia, defendemos um percentual de 50% (de preservação) para as propriedades que já tiverem desmatado e estiverem produzindo alimentos nessas áreas. Nas restantes, poderiam deixar os 80% preservados. Há um número muito importante que vale registro: 84% das terras da Amazônia são propriedades da União, e apenas 16% são propriedade privada. Nesses 16%, temos que deixar entre 50% e 80% preservados. É muito pouco (desmatamento).
BBC Brasil - Ficou satisfeita com o Código Florestal assinado pela presidente
Dilma?
Kátia Abreu - Tivemos muitos avanços, que foram compensadores. A maior recompensa de todas é que veio uma segurança jurídica para os produtores e que se tirou a hegemonia das ONGs que faziam mudanças (na legislação ambiental) pelo Ministério do Meio Ambiente, via decretos. Acabou o tempo do monopólio das ONGs sobre o assunto. Qualquer assunto de meio ambiente agora vai ser votado no Congresso Nacional.
BBC Brasil - Quais os pontos centrais do código que agora os ruralistas pretendem modificar no Congresso?
Kátia Abreu - Com relação à APP (Área de Preservação Permanente), sabemos da importância das matas ciliares (vegetação ribeirinha), mas queríamos que os Estados pudessem definir como e quanto recompor o que já foi aberto.
BBC Brasil - Isso não deixaria a regulamentação muito sujeita ao poder do agronegócio em alguns Estados?
Kátia Abreu - Estamos falando de áreas que já foram desmatadas, e não de áreas novas para desmate. O Ibama nasceu para ser fiscalizador, temos o Ministério Público, os Conselhos de Meio Ambiente dos Estados, que só têm ambientalistas. Não há risco. Assim como a saúde e a educação são governadas nos Estados, por que o meio ambiente não poderia ser? Já imaginou se de repente aprovássemos uma lei na Europa dizendo que a partir de hoje todos os rios têm de deixar 30 metros (preservados)? O que dizer a esses produtores? Acha que iriam cumprir? Onde há pessoas, existem direitos, existem conflitos que precisam ser solucionados. E talvez nos Estados pudesse ser mais fácil resolvê-los.
BBC Brasil - A bancada ruralista defende a soberania nacional ao criticar a influência exercida por ONGs estrangeiras no debate sobre o meio ambiente no Brasil, mas os parlamentares do grupo têm defendido diminuir as restrições à compra de terras por estrangeiros. Não há incoerência?
Kátia Abreu - O que tem a ver compra de terras por estrangeiros com o meio ambiente? Não vejo nenhuma ligação. Vivemos em mundo globalizado: qualquer país que venha comprar terras no Brasil terá de seguir a legislação brasileira. A livre iniciativa, o livre mercado, o mundo globalizado não permitem essas restrições.
BBC Brasil - Por que os ruralistas querem tirar do Poder Executivo a prerrogativa de demarcar terras indígenas?
Kátia Abreu - Porque hoje essa decisão está totalmente nas mãos da Funai (Fundação Nacional do Índio). Não se discute no Congresso, não se ouvem governadores, deputados estaduais, vereadores. São decisões monocráticas, unilaterais. O Congresso é a representação da sociedade, o que for feito aqui dentro tem participação do povo.
BBC Brasil - Mas a demarcação de terras não exige a competência de um órgão específico? Não há uma dívida histórica com os índios que justificaria um tratamento especial?
Kátia Abreu - Não estou discutindo se deve ou não haver tratamento especial. O governo faz o que achar com as políticas públicas, mas o Estado de Direto tem de ser respeitado. Segundo a Constituição, as terras indígenas não podem ser ampliadas. Áreas indígenas são as que estavam ocupadas em 5 de outubro de 1988 (data da promulgação da Constituição), e não as que já foram ocupadas ou que serão ocupadas. Mas se quiserem desapropriar e indenizar propriedades, se quiserem dar 50% do país aos índios, não temos nada contra.
BBC Brasil – E nos casos em que os índios foram expulsos de suas terras antes da Constituição de 1988?
Kátia Abreu - Não posso responder sobre esses casos, só sobre a lei existente. Esses casos têm de ser investigados pela Justiça.  BBC Brasil - Os ruralistas também têm se oposto à Proposta de Emenda Constitucional do Trabalho Escravo. O grupo não teme ser associado a um conservadorismo arcaico? 
Kátia Abreu - Você conhece bem a lei do trabalho escravo? O que mais chama atenção lá? A expropriação de propriedades onde for encontrado trabalho escravo. Sou super a favor que se exproprie, que se dê prisão perpétua a quem tem trabalho escravo. O grande problema da lei é que não tem definição clara do que é (trabalho) degradante e do que é jornada exaustiva. É o que faremos no Senado.Não vamos deixar o descumprimento de leis trabalhistas ser confundido com escravidão, para tomar fazendas dos outros e fazer reforma agrária de graça.

Erundina vice de Haddad? Afinal, que porra de renovação é essa?

          
    Dirceu Ayres

E o PT lançou à candidatura do Fernando Haddad a prefeitura de SP com o "slogan" de renovação. Haddad 3%, a invenção do Defuntus Sebentus, vem para a disputa eleitoral sob a batuta do novo, da renovação, dando a entender que tudo o que está aí é velho e ultrapassado. O Sebento preteriu Marta Suplicy à corrida eleitoral e impôs Haddad 3% na base do dedaço e da prepotência de um ser que pensa que é Deus, e o mais bizarro, os seus seguidores acreditam nessa condição. A PT se ajoelhou diante das ordens do todo poderoso de Garanhuns e humildemente lamberam as bolas do nonadáctilo ditador. E percebendo que Haddad não tem chance alguma na disputa eleitoral por SP, Sebentus em mais uma demostração de prepotência ajeitou uns acordos infames com o PSB do Nordeste e aceitou Luiza Erundina como vice na chapa de Haddad. Para quem não sabe, Erundina foi uma desastrada prefeita pelo PT em SP entre 1989 e 93 sucedendo o governo daquele outro lixo chamado Jânio da Silva Quadros. Uma política que tem 77 anos, e que de renovação talvez tenha um joanete no dedinho do pé esquerdo. Em outras palavras, tiraram Marta da disputa pára renovar SP, e quando perceberam a merda que fizeram, as Ratazanas Vermelhas comandadas pelo Oráculo de Garanhuns se agarraram em fio desencapado e caíram na patetice de renovar em uma aliança com um partido sem expressão e com uma chapa pré histórica e mofada com Erundina. Se Luiza Erundina for renovação, o novo, o mudérnu, tamos phudidos de vez. O contra senso e a arrogância dos PTralhas é tamanha que eles irão afirmar e acreditar que Luiza Erundina é renovar na política. E a oposição ainda não percebeu que Erundina não é nada de novo na política, pois se perceber e usar isso contra o PT a aliança fica comprometida e os 3% do Haddad serão eternos. O Sebento pós câncer perdeu de vez a noção de tudo, acha que tudo pode e está acima do bem e do mal, agora chegou a hora do povo de SP colocar esse traste no seu devido lugar que é o limbo da história. E para a Marta Suplicy que foi preterida pelo "novo" Erundina, minha mais profunda gargalhada com os desejos de um gigantesco PHODA-SE!!! Erundina ao menos teve a coragem de sair do PT quando percebeu que ele estava se tornando o partido de um homem só, agora veremos até onde vai a dignidade de Marta Suplicy para ficar e ser desprestigiada e tratada como burra, ou sair do PT. E no mais PHODA-SE!!! (O MASCATE)

Dilma não parece entender o que acontece na economia

         
          Dirceu Ayres

O jornal O Estado de São Paulo tem insistido muito nas confusões que a presidente Dilma Roussef vem produzindo, todas elas ligadas a sua pretensa competência na administração da economia. . Dilma Roussef é economista, sim, mas há muitos e muitos anos não exerce funções na área. Além disto, seu conhecimento limita-se a uma mera graduação, porque não conseguiu levar adiante os cursos de mestrado e doutorado que começou. . Como gerentona do PAC, Dilma Roussef não produziu resultados apreciáveis, a não ser o fato de ter concentrado 40% das obras nas mãos de uma única empreiteira, a Delta Construções. O PAC foi uma belíssima sacada política dos marqueteiros de Lula. Nos pronunciamentos desta semana, a presidente misturou duas questões muito diferentes, segundo o jornal: - A incorporação de milhões de famílias pobres ao mercado de consumo e o desafio de remover obstáculos à expansão da economia nacional. Detalhe inquietante: a autora dessa confusão tem um diploma de economista. Ora, os números demonstram que a indústria brasileira vai de mal a pior e perte espaço nos mercados interno e externo, o que, claro, reduz gravemente o número de empregos. Assim, eis o que ensina o jornal: - É um disparate, portanto, atribuir os problemas da indústria - mais precisamente, do segmento de transformação - a uma retração dos consumidores. A participação de bens importados no mercado brasileiro de consumo atingiu 22%, um recorde, nos quatro trimestres encerrados em março e essa tendência, ao que tudo indica, se mantém.  Mais adiante, ensina O Estadão: - Não basta dispor de fábricas para produzi-los. A indústria tem de ser capaz de produzi-los com preços e qualidade compatíveis com os padrões internacionais. Recorrer ao protecionismo é apenas uma forma de empurrar o problema para a frente e - pior que isso - de abrir espaço para problemas adicionais, como a elevação de preços e a estagnação da capacidade produtiva. Muitos brasileiros devem ter aprendido essa lição. A presidente parece tê-la esquecido. O governo tem ignorado a questão mais séria de todas para os atuais problemas da economia, que são os casos dos investimentos escassos e da diminuição da capacidade produtiva, o que não depende apenas dos juros altos, mas relaciona-se gravemente com o chamado Custo Brasil. * Polibio Braga- BLOG DO MARIO FORTES

Um advogado não pode agir como um comparsa.

        
   Dirceu Ayres                


"sempre que Márcio Thomaz Bastos triunfa num tribunal, a Justiça é derrotada e a verdade morre outra vez" “Serei eu o juiz do meu cliente?”, pergunta Márcio Thomaz Bastos no título do artigo publicado na Folha desta quinta-feira. O cliente em questão é, segundo o doutor, “Carlos Augusto Ramos, chamado Cachoeira”, que contratou em março os serviços do ex-ministro da Justiça capaz de enxergar inocentes até em serial killers americanos. “Não o conhecia, embora tivesse ouvido falar dele”, informa no quinto parágrafo. Ouvira o suficiente para cobrar R$15 milhões pela missão de garantir que envelheça em liberdade. Depois de consumir dezenas de linhas na descrição do calvário imposto a um cidadão sem culpas por policiais perversos, promotores desalmados e juízes sem coração, o doutor enfim se anima a responder à pergunta do título. “Serei eu então juiz de meu cliente?”, repete.“Por princípio, creio que não. Sou advogado constituído num processo criminal. Como tantos, procuro defender com lealdade e vigor quem confiou a mim tal responsabilidade”. Conversa fiada, demonstrou o grande Heráclito Fontoura Sobral Pinto num trecho de numa carta escrita em outubro de 1944 (veja post na seção Vale Reprise): “O primeiro e mais fundamental dever do advogado é ser o juiz inicial da causa que lhe levam para patrocinar. Incumbe-lhe, antes de tudo, examinar minuciosamente a hipótese para ver se ela é realmente defensável em face dos preceitos da justiça. Só depois de que eu me convenço de que a justiça está com a parte que me procura é que me ponho à sua disposição”. No artigo, Márcio Thomaz Bastos sustenta que todos os clientes e causas merecem o mesmo tratamento. Assim, vale tudo para absolver tanto um ladrocida compulsivo quanto de um sacristão engaiolado por ter bebido o vinho do padre. “Não há exagero na velha máxima: o acusado é sempre um oprimido”, afirma. “Ao zelar pela independência da defesa técnica, cumprimos não só um dever de consciência, mas princípios que garantem a dignidade do ser humano no processo. Assim nos mantemos fiéis aos valores que, ao longo da vida, professamos defender. Cremos ser a melhor maneira de servir ao povo brasileiro e à Constituição livre e democrática de nosso país”. Quem colocou o gabinete de ministro da Justiça a serviço da quadrilha do mensalão não pode disfarçar-se de guardião do Estado de Direito. Quem procura enterrar em cova rasa as provas contra Cachoeira, colhidas pela Polícia Federal que chefiou, está convidado a dispensar-se de declarações de amor à democracia. Sem imaginar como seria o Brasil da segunda década do século seguinte, Sobral Pinto desmoralizou as falácias desfiadas por Márcio: “A advocacia não se destina à defesa de quaisquer interesses. Não basta a amizade ou honorários de vulto para que um advogado se sinta justificado diante de sua consciência pelo patrocínio de uma causa. O advogado não é, assim, um técnico às ordens desta ou daquela pessoa que se dispõe a comparecer à Justiça. O advogado é, necessariamente, uma consciência escrupulosa ao serviço tão só dos interesses da justiça, incumbindo-lhe, por isto, aconselhar àquelas partes que o procuram a que não discutam aqueles casos nos quais não lhes assiste nenhuma razão”. Na Folha, o advogado de Cachoeira tortura a verdade: “Aconteceu o mais amplo e sistemático vazamento de escutas confidenciais”, fantasia. “A pródiga história brasileira dos abusos de poder jamais conheceu publicidade tão opressiva. Estranhamente, a violação de sigilo não causou indignação. Dia após dia, apareceram diálogos descontextualizados, compondo um quadro que lançou Carlos Augusto na fogueira do ódio generalizado. Trocou-se o valor constitucional da presunção de inocência pela intolerância do apedrejamento moral”. Tradução da discurseira em juridiquês: a culpa é da imprensa, responsável pelo que o articulista define como “publicidade opressiva”. A expressão foi inaugurada na entrevista à Band em que o doutor acusou a imprensa de ter tomado partido no caso do mensalão. O bando liderado por José Dirceu nada fez de errado, explicou o entrevistado. Só será punida se os ministros do STF cederem à “publicidade opressiva” produzida por jornalistas que insistem em ver as coisas como as coisas são. Na carta, o jurista admirável coloca em frangalhos, com quase 70 anos de antecedência, a tese forjada para justificar a parceria entre márcios e cachoeiras: “É indispensável que os clientes procurem o advogado de suas preferências como um homem de bem a quem se vai pedir conselho. Orientada neste sentido, a advocacia é, nos países moralizados, um elemento de ordem e um dos mais eficientes instrumentos de realização do bem comum da sociedade”. Desde 2005, quando o mensalão o induziu a excluir valores éticos dos critérios que determinam a aceitação de uma causa, o espetáculo tristonho se repete: sempre que Márcio Thomaz Bastos triunfa num tribunal, a Justiça é derrotada e a verdade morre outra vez. Gente com culpa no cartório escapa da cadeia, cresce a multidão de brasileiros convencidos de que aqui o crime compensa e ganha consistência a suspeita de que lutar pela aplicação rigorosa da lei é a luta mais vã. É o que ocorrerá, por exemplo, se os argumentos invocados pelo ex-ministro forem acolhidos pelo Tribunal Regional Federal da 1ª Região, que designou três desembargadores para julgarem o pedido de habeas corpus impetrado em favor de Cachoeira. O relator Tourinho Neto já encampou as reivindicações de Márcio. Votou pela soltura do meliante, preso desde 29 de fevereiro, e considerou ilegal a escuta telefônica feita por agentes da Polícia Federal durante a Operação Monte Carlo. Falta apenas um voto para a consumação da ignomínia. Todo acusado, insista-se, tem direito a um advogado de defesa. Mas doutor nenhum tem o direito de mentir para livrar de punições o acusado de crimes que comprovadamente cometeu. O advogado, resumiu Sobral Pinto, é o juiz inicial da causa. Não pode agir como comparsa. * Augusto Nunes BLOG DO MARIO FORTES