quinta-feira, 21 de março de 2013

O REGIME



    Dirceu Ayres

A partir dos próximos dias, vou outra vez tentar um regime, começo outra vez a engordar demais. Frutas, legumes e verduras será a base. Sim, a partir de amanhã começo mais um período de guerra contra os quilos extras. Nada de bacon, queijos amarelos, vinho, massas e risotos vão aproveitar para comer o que mais adoro... Feijão com arroz, sem falar na carne crua, peixadas e frutas vermelhas que não vou poder abusar. No cardápio atual: salada crua, legumes cozidos no vapor e filé de frango, galinha assada ou na chapa com show. Claro, não podem faltar as sopas de baixa caloria, muito chá, cereal com leite desnatado e pelo menos uma fruta por dia. Em duas semanas quero me livrar de dois ou três quilos... Tenho dito! E como ninguém é de ferro, aproveitei que fui a uma ótima loja de produtos naturais comprei guaraná em pó e também sabonete de própolis em barra, castanha da Índia, chá de sete ervas e mais umas vitaminas. Apesar da correria, meu dia foi ótimo! Bons contatos, tarefas resolvidas outras agendadas algumas cumpridas e uma vontade enorme de aproveitar esse dia diferente pra passar o resto da noite depois que sair do computador, lendo. Isso mesmo, lendo que é a coisa que eu mais gosto de fazer para não deixar a cabeça desocupada, isso seria perigoso. Cabeça desocupada é oficina do Diabo. Vou continuar fazendo muita força para conseguir manter um regime bem salutar, espero honestamente que isso venha resolver a falta de ar que eu estou sentindo, ando muito cansado, sem fôlego, pareço um velho asmático. Bem, para que serviria um regime se não tivesse algum objetivo sério e sadio?. Agora não sei se devo fazer regime de mulher também, aí não saberia como viver, pois tenho alergia a homem. Além do medo, me coço todinho e fico todo vermelho. Diabos precisam da orientação de algum amigo Médico Psiquiatra de preferência que seja sério e entenda muito do assunto não seja somente curioso ou porque quer me ajudar. Ficarei eternamente agradecido a esse amigo que quiser dignar-se a me ajudar com essas ideias. Sei que muitos amigos gostam de um jeito até “diferente de homens” e eu não quero cair nessa, mesmo para alguns sendo tentação. Sou mais assustado, não tenho a coragem deles, talvez isso não dependa somente de coragem, tenha mais alguns ingredientes, uáu, é assustador de mesmo. To fora. Vou mesmo é cuidar do meu regime para ver se emagreço um pouco mais, aí sim, terei saúde e vou dar umas pernadas pelas outras regiões onde só tem Amazona cavalgando solitária. Agora no Brasil tá mais perigoso, o Supremo tribunal Federal atestou que pode casar homem com homem e mulher com mulher e tudo será normal. Tá doido, sou do tempo antigo e nunca tinha visto a coisa desse jeito, sempre soube que existia homem que gosta de outro e mulher que gosta da fruta também come até o caroço, como vou me meter em um imprensado desse? Nossa to fora, minha praia é outra. Poe uma gata linda em minha frente com todas as manhas e vou tentar dar conta do recado. Inicio sempre tirando a calcinha de preferência branca com os meus dentes, depois volto a minha infância e começo a mamar, me transformo em gato e vou lambendo o corpo dela todinho dá para fazer um rasante por cima da gruta do amor, deixo-a mais exitada, quando já tiver escorrendo o mel do amor, o cheiro ardido de sexo, suor se misturando com sêmen, coração com taquicardia, vermelhão no corpo todo... Iniciamos o que podemos chamar de ato de amor, amor verdadeiro e que leve ao clímax do orgasmo.
  



O CIRCO NOSSO DE CADA DIA




     Dirceu Ayres

E Todo mundo sabe, é verdade mesmo, que os governos fazem de um tudo com o dinheiro do Povo para satisfazer seus próprios interesses. Tira o dinheiro da Saúde para jogar na esbórnia. Tira das rodovias para colocar como aumento de Deputados Federais. Tira da Segurança e Poe na reforma do Palácio e ajuda alguns amigos mais próximos. Corta o dinheiro que deveria ir para o Rio de Janeiro aquela cidade maravilhosa e pacífica, cantada em prosa e verso (e sangue, muito sangue e morte). Nas próximas olimpíadas certamente teremos novas modalidades "esportivas": maratona de arrastamento de crianças até a morte “tiro a esmo" (antigamente conhecido como "tiro ao alvo") Sequestro tanto demorado como o conhecido “sequestro relâmpago” praticado por menores. Etc. Lá as crianças já brincam desse tipo de "sequestro relâmpago" desde menino (antigamente conhecido como "esconde-esconde"), e assim por diante. Mas é claro que também temos monstros, como o pedreiro que estuprou e estrangulou uma criança de apenas alguns meses dentro de um templo. (isso em SC). Os detentos, porém, darão conta dele já, já, até detentos chamam a isso de monstruosidade. Para alguns crimes, não há impunidade atrás das grades. Será que eu estaria raivoso demais?. E se ELE FOR CONDENADO E FOR PARA a Prisão, lógico que encontrará logo um Boy com muita vontade de fazer amor e poderá satisfazer as vontades dele. O Brasil ou os Políticos fazem o Circo?. Ora o Circo já está feito e bem montado, o que parece que não tem jeito é modificar a chamada vontade Política, isso sim é um Circo. Alguns estão no picadeiro brincando com os palhaços ou fazendo dos outros também palhaços, Uns estão nas Câmaras, plenário etc., enquanto outros estão no Globo da Morte cuidando do equilíbrio para não serem presos, outros estão alimentando os colegas animais para estar de bem com todos e ainda temos os que ainda estão na plateia ou só assistindo o que se passa no Palco, ou esperando a sua vez. Estamos ou não estamos em um Circo?, Às vezes somos plateia e às vezes somos figurantes. Más, que estamos em um Circo e fazemos parte dele, está claro que estamos sim em um Circo bem movimentado, bem frequentado e com cerca de cinquenta milhões (50.000.000.00) de passa fome, aqueles que estão abaixo da linha da pobreza, isso segundo a Fundação Getúlio Vargas e nós, teríamos jeito para consertar?, Acho que não. Acredito que políticos de honra, decentes e honestos, estão esperando uma boa hora para junto com alguns Empresários poderosos colocarem o Brasil nos trilhos, não somente da esperança como nos trilhos do desenvolvimento. Melhorando a qualidade de vida dos Brasileiros e desmanchando esse Circo de maracutáia e é, mas não é. Um dia um político é convidado para um cargo, no outro dia quem assume já é outro, um determinado político conta com o apoio da autoridade maior para exercer um cargo, quem assume de verdade é outro. Sejamos sinceros... É ou não é um Circo?. Está ou não está em movimento desencontrado sempre?. Temos um único caminho, esperar para ver no que vai dar ou eleger os que já estão aí. Não sabemos com quem contar nem a quem pedir ajuda, então é ficar calado e esperando. Talvez um dia as coisas venham a melhorar ou o Circo vai pegar fogo.
     


Dilma Roussef e os ministérios da burrice.



    Dirceu Ayres

A governabilidade tal como é entendida por aqui é um nome que, apesar de não ter nada de santo, é permanentemente invocado em vão. Tal como fez a presidente Dilma Rousseff no dia seguinte ao presidente da Câmara de Políticas de Gestão da Presidência, o empresário Jorge Gerdau - um colaborador voluntário, diga-se -, criticar duramente o modelo agigantado e ineficiente da montagem do Ministério. Dilma não quis passar recibo: disse que sabe conviver com a crítica. Mas, se é verdade que Gerdau já falou a ela em particular sobre a "burrice", "loucura" e "irresponsabilidade" de se distribuir cargos de primeiro escalão a torto e a direito ao molde de uma bolsa-ministério para os partidos aliados, em público a presidente fez que não ouviu. Na manhã de sábado mesmo, na cerimônia de posse dos novos ministros da Agricultura, Aviação Civil e do Trabalho, Dilma invocou a "governabilidade" para justificar e defender os meios e modos da coalizão. É de se supor que os defenda, pois falou como se fossem absolutamente necessários. E imutáveis.Mas, afinal de contas, o que significa mesmo essa tal governabilidade? Desde quando o Brasil ficaria ingovernável caso o compartilhamento de poder com os partidos que apoiam o chefe do País obedecesse a critérios menos toscos que os do mais deslavado fisiologismo? Certamente não haveria grandes prejuízos à administração do País se a aliança se sustentasse em comprometimento administrativo, doutrinário e até mesmo ético. Talvez a adesão fosse menor em quantidade, mas seria melhor em qualidade. Itamar Franco tinha 27 ministérios, Fernando Henrique Cardoso, 24, por que Lula precisou de 37 e Dilma de 39 em vias de criar mais um e atingir o número 40, cuja simbologia não é das melhores? Para acomodar as correntes do PT e os partidos que, não fosse isso, estariam na oposição trabalhando com afinco para tornar o Brasil ingovernável. E já que estamos na base das perguntas, façamos outra: estariam mesmo? Que força esses partidos teriam sem as armas de governo? Mais uma: uma vez eleito um presidente que determinasse uma regra do jogo mais decente - sem, claro, destratar o Congresso como fez a turma de Fernando Collor - quantos minutos levariam para virar aliados? Se é para adotar a lógica da barganha, lembremos que uma administração federal não se faz só de ministérios. E um enxame deles tampouco faz uma administração ser bem-sucedida. Então, para quê? Para dar visibilidade e poder aos partidos e seus políticos nos respectivos eleitorados e, com isso, ajudarem a si, aos colegas de bancada de outros Estados e ter uma justificativa para viverem grudados nas barras das saias ou das calças dos governantes. É bom para quem recebe, é ótimo para quem dá esperando receber o troco em votos, tempo de televisão, tropa de defesa no caso de escândalos e base parlamentar mastodôntica para exibir. Mas, para quem vota, para quem precisa dos serviços do Estado de verdade, não representa nada, além de uma grande falácia a respeito do "presidencialismo de coalizão", cuja denominação, criada pelo cientista político Sérgio Abranches, está completamente deturpada. Não há benefício coletivo na aludida governabilidade tal como é entendida, e praticada, por aqui. Na realidade, nela reside um grande malefício. Pesquisa. O aumento da aprovação da presidente da República projeta favoritismo eleitoral. Embora não garanta nada nesta altura porque não há concorrentes a serem analisados pelo público. Fosse parâmetro, Dilma sozinha poderia ter 100% e não 85%. A proximidade dos anúncios da redução dos preços de energia e desoneração da cesta básica comprova o peso das ferramentas oficiais. Título original: "Nome em vão" Dora Kramer.

segunda-feira, 18 de março de 2013

DIREITOS DOS HUMANOS EXISTEM?


           
     Dirceu Ayres

Temos um sujeito que é acusado de racista e homofóbico. Aí, eu pergunto: alguém que pede a senha do cartão de crédito de alguém (o famoso 171) merece algum respeito? Eu o qualifico, eufemisticamente, como desonesto. Para mim, este homem não tem qualquer valor. Parece ser um personagem indicado mesmo para fazer política no Congresso Nacional. Falam do Sen. Renan Calheiros, Zé Dirceu, Genoíno e companhia, (farinha do mesmo saco), o povão não faz tanto escândalo. Agora, um infeliz que não sabe ficar com a boca fechada é alvo da fúria Concordo plenamente com os cartazes alguns até bizarros. Deus ama todos, agora quero dizer, o cargo na comissão dos direitos humanos (desumanos) no Brasil, está em geral com péssima fama, parece que no Brasil só bandido tem direito, calma que eu explico; o preso tem auxilio detenção, a família da vitima não tem nem bananola, quando um bandido é morto, logo tem 4 ou 5 ou mais elementos dos tais direitos DESUMANOS lá para ver com seu familiares o que pode ser feito por eles, agora se o bandido mata uma pessoa de bem a família não chega a ver algum elemento dos tais direitos humanos, acredito que não então só entre nos, para defender bandido elegeram a pessoa certa, pois desde meu tempo de criança já se dizia, bandido defende bandido. Tentar virar alguma página de nossa vida e tentar aceitar essa situação, ledo engano, não conseguiremos. Essas pessoas são políticos e alguns até religiosos que usam uma perigosa lábia para ignorar o que é mal feito e se é político exerce cargo com alguma autoridade... Violam essa essas leis e até garantem que pode violar. É uma espécie de clérigos que garantem ser a única ligação entre vocês (nós) e DEUS, é assim que torna as pessoas convencidas a ajuda-los e até convertidas. Assim convence o suplicante a ser “laranja” jurar falsamente, se prestar a ser o grude de desgraça que ajuda o miserável. Políticos, sua mente os engana conforme seus pensamentos e/ou suas atitudes, você com esses procedimentos ambiciosos não está credenciado a ter caráter, não é e nunca será um homem de bem, pois suas sujeitas são incomensuráveis, por isso nunca será respeitado como uma boa pessoa. Direitos humanos como o que conhecemos deve ser mesmo indicado para gente com seu procedimento desvirtuado. O povão pode começar seu grito, juntem seus amigos, conhecidos dos conhecidos, não importa suas opções de vida só não larguem a luta, pelo menos por enquanto não larguem a sua luta pois se quiserem mudar o que já está feito só com alguma explicação nunca receberá ou nunca vai mudar seus reclamos eles irão procrastinar seus interesses.
                



O CHOVE E NÃO MOLHA


           

         Dirceu Ayres

É namoro ou amizade? Relação amorosa ou rola alguma coisa diferente? Rolo, cacho, ensaio de amor, alisado, lambida, romance ou pura clandestinidade? “Qualé, rapá?!”, indaga a nobre gazela. E o homem do tempo nem chove nem molha. Só no mormaço, só na lazeira olhando os espaços das nuvens esparsas formando caracol no céu. No tempo de amor mais remoto ao abocanhar a gata, não a deixava nem miar, era pau na papada com vontade ou sem vontade o importante era mesmo amar, quero dizer... Transar. Porque todos nós sabíamos sobre a fragilidade dos encontros amorosos, é difícil saber quando é namoro ou apenas um lero-lero, vida noves fora zero ou zero noves fora... Etc., e tal. Cada vez mais raro o pedido formal de enlace, aquele velho clássico: “Você me aceita em namoro”? Isso já era, já foi, tá longe, nunca mais!!! Agora é Barracubacu-baco-baco, escreveu não leu, uháu, o pau comeu. Acabou aquela de ficar pedindo com a maior gentileza, sendo educado, fino, elegante e outros bichos mais. O chove não molha já acabou, é “dente ou queixo”, faz ou não faz, não existe mais essa de “tire porque está doendo” é pá-pim burucutú, dentro. Não se tem mais tempo disponível para namorar. Quando eu era menino, saia para falar com a Namoradinha todo arrumado, com óleo e Brilhantina Glostora, o perfume era Desejo, o cabelo com um enorme topete todo penteado para trás e ares de Dom Juan. Entrava em sena o chove e não molha de sempre, a namoradinha fazendo seu “tipo” e dificultando tudo, mas quando travava o dente, só Deus para largar, dava tudo certo e ela saia ofegante, meio cansada, exaurida porém muito satisfeita embora fingida. Que época, não tinha mesmo o tal de chove e não molha. Acredito que as meninas gostavam dos rapazes mais atirados e desinibidos, pois a experiência nos mostrava que os rapazes que ficavam na base do chove e não molha, terminavam sem namoradas, sozinhos. Outra coisa que era com naquela época, só nos preocupávamos com as doenças venéreas, principalmente a famigerada Blenorragia que era o assombro dos meninos, qualquer sinal... Penicilina urgente e o restante era evitar as meninas que não tinha aprendido ainda como ser higiênica, ou ensinávamos ou reclamávamos ou então nunca mais saíamos com aquela garota. Certa vez em uma Cidade do Interior do estado a serviço da Petrobrás, à noite sem nada para fazer fui à casa de uma “comadre” Lá encontrei uma mocinha belíssima e novinha, depois dos, entretanto, chegamos aos finalmente e fomos para a cama. Ela era conhecida como “churrasquinho” (tinha sofrido acidente com café quente e queimou a barriga), ela foi logo dizendo! Só faço com a luz apagada! E eu que não ia fazer nada com a luz, disse apague. Começamos a ralar e rolar e de repente ao encostar a cabeça ao lado da dela, senti um mau cheiro horrível, que diabos é isso? Perguntei, ela ficou calada, eu saltei da cama acendi a lâmpada e logo achei, era a calcinha dela que ao tirar ela havia colocado para cima e ficou bem atrás de sua cabeça e quando estava por cima e fui colocar o rosto ao lado do dela encostei-me à desgraçada calcinha que ela não havia lavado pelo menos durante o último mês. Aí não precisava de chove e não molha nenhum. Com a luz acesa fui logo dizendo que quando ela se lavasse e ficasse mais higiênica eu voltaria, dei um dinheiro para comprar algum sabão ou sabonete e fazer a limpeza com bastante cuidado, sem chove e não molha e depois do banho uma lavagem de samba caitá e uma interna de baba timão. Linda como ela é será a querida dos meninos.

No país em que a presidente fala "estrupo" em discurso, qualquer erro é "rasoável".



     Dirceu Ayres

Recentemente, em cerimônia para mulheres no Planalto, Dilma lascou um "estrupo". Ninguém registrou ninguém criticou, mas está no youtube. Agora leiam o que acontece no ENEM. “Razoável”, “enchergar”, “trousse”. Esses são alguns dos erros de grafia encontrados em redações que receberam nota 1.000 no Exame Nacional de Ensino Médio 2012 (Enem). Durante um mês, O GLOBO recebeu mais de 30 textos enviados por candidatos que atingiram a pontuação máxima, com a comprovação das notas pelo Ministério da Educação (MEC) e a confirmação pelas universidades federais em que os estudantes foram aprovados. Além desses absurdos na língua portuguesa, várias redações continham graves problemas de concordância verbal, acentuação e pontuação. Apesar de seguirem a proposta do tema “A imigração para o Brasil no século XXI”, os textos não respeitavam a primeira das cinco competências avaliadas pelos corretores: “demonstrar domínio da norma padrão da língua escrita”. Cada competência tem a pontuação máxima de 200 pontos. Segundo o “Guia do participante: a redação no Enem 2012”, produzido pelo MEC, os 200 pontos na competência 1 são atingidos apenas se “o participante demonstra excelente domínio da norma padrão, não apresentando ou apresentando pouquíssimos desvios gramaticais leves e de convenções da escrita. (...) Desvios mais graves, como a ausência de concordância verbal, excluem a redação da pontuação mais alta”. O manual aponta, entre os desvios mais graves, erros de grafia, acentuação e pontuação. Na mesma redação em que figura a grafia “rasoavel”, palavras como “indivíduos”, “saúde”, “geográfica” e “necessário” aparecem sem acento. E ao menos dois períodos terminam sem o ponto final. Em outro texto recebido pelo GLOBO, aparecem problemas de concordância verbal, como nos trechos “Essas providências, no entanto, não deve (sic) ser expulsão” e “os movimentos imigratórios para o Brasil no século XXI é (sic)”. O mesmo candidato, equivocadamente, conjuga no plural o verbo haver no sentido de existir em duas ocasiões: “É fundamental que haja (sic) debates” e “de modo que não haja (sic) diferenças”. Uma terceira redação nota 1.000 apresenta a grafia “enxergar”, além de problema de concordância nominal no trecho “o movimento migratório para o Brasil advém de necessidades básicas de alguns cidadãos, e, portanto, deve ser compreendida (sic)”. Em outro texto, além da palavra “trousse”, há ausência de acento circunflexo em “recebê-los” e uso impróprio da forma “porque” na pergunta “Porém, porque (sic) essa população escolheu o Brasil?”. Pós-doutor em Linguística Aplicada e professor da UFRJ e da Uerj, Jerônimo Rodrigues de Moraes Neto diz que essas redações não deveriam receber a pontuação máxima. — A atribuição injusta do conceito máximo a quem não teve o mérito estimula a popularização do uso da língua portuguesa, impedindo nossos alunos de falar, ler e escrever reconhecendo suas variedades linguísticas. Além disso, provoca a formação de profissionais incapazes de se comunicar, em níveis profissional e pessoal, e de decodificar o próprio sistema da língua portuguesa — aponta Moraes Neto. Claudio Cezar Henriques, professor titular de Língua Portuguesa do Instituto de Letras da Uerj, reitera que, ao ingressar na universidade, esses alunos terão de se ajustar às normas da língua de prestígio acadêmico se quiserem se tornar profissionais capacitados. Ele observa que a banca corretora não usa o termo “erro”, mas “desvio”, algo que, segundo ele, é “eufemismo da moda”. — A demagogia política anda de braço dado com a demagogia linguística. É preciso lembrar que as avaliações oficiais julgam os alunos, mas também julgam o sistema de ensino. Na vida real, redações como essas jamais tirariam nota máxima, pois contêm erros que a sociedade não aceita. Afinal, pareceres, relatórios, artigos científicos, livros e matérias de jornal que contiverem esses desvios/erros colocarão em risco o emprego de revisores, pesquisadores e jornalistas, não é? — ele indaga. Logo que o MEC liberou a consulta ao espelho da redação, em fevereiro, o site do GLOBO publicou uma reportagem pedindo que estudantes enviassem redações com nota 1.000, junto com seus comprovantes. O objetivo era expor os bons exemplos no site. Porém, ao ler as redações, a equipe percebeu erros gritantes em várias dissertações. Foram enviadas ao MEC, então, quatro delas. Para não expor os alunos, os textos foram digitados, e as informações pessoais (nome, CPF e número de inscrição), omitidas. O GLOBO perguntou se os desvios não desrespeitavam os critérios estabelecidos pelo manual do MEC, e o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anysio Teixeira (Inep) alegou que não comenta redações: “por respeito aos participantes, a vista pedagógica é dada especificamente a quem prestou o exame”. Segundo o Inep, “uma redação nota 1.000 deve ser sempre um excelente texto, mesmo que apresente alguns desvios em cada competência avaliada. A tolerância deve-se à consideração, e isto é relevante do ponto de vista pedagógico, de ser o participante do Enem, por definição, um egresso do ensino médio, ainda em processo de letramento na transição para o nível superior”. Sobre os critérios usados na correção da redação do Enem 2012, estabelecidos pela coordenação pedagógica do exame, a cargo de professores doutores em Linguística da Universidade de Brasília (UnB), o Inep informa que a análise do texto é feita como um todo. Segundo a nota, “um texto pode apresentar eventuais erros de grafia, mas pode ser rico em sua organização sintática, revelando um excelente domínio das estruturas da língua portuguesa”. ( O Globo)

Papa diz que Igreja não é "uma ONG beneficente". Um soco no queixo de CIMI, Pastoral da Terra e outros grupos que aparelharam a instituição.


               

    Dirceu Ayres

Papa Francisco decreta o fim da política na Igreja. Lugar de padre não é incitando violência, invasões, luta de classes. Lugar de padre é evangelizando. Igreja não é governo. No primeiro dia em que acordou como papa, Francisco mandou ontem diversas mensagens de que adotará um novo estilo de comando na Igreja Católica. Com gestos simbólicos, ele sinalizou novos tempos de austeridade e de humildade diante dos fiéis. E na primeira mensagem pastoral, defendeu que a igreja volte aos Evangelhos para não se reduzir a uma ONG beneficente. O novo papa rezou uma missa aos cardeais que o elegeram na Capela Sistina, com transmissão ao vivo pela TV. No cenário do conclave, defendeu que o catolicismo "caminhe" e seja "edificado" sobre bases sólidas. "A nossa vida é um caminho. Quando paramos, alguma coisa está errada", disse Francisco, escolhido para liderar um rebanho de 1,2 bilhão de fiéis num momento de crise na igreja. O argentino fez um chamado pela colaboração dos cardeais e estabeleceu uma espécie de lema para a Santa Sé em seu pontificado: caminhar, construir e difundir a palavra de Jesus. "Nós podemos caminhar o quanto quisermos, podemos construir muitas coisas, mas se não confessarmos [professarmos] Jesus Cristo, a coisa não anda. Nos tornaremos uma ONG beneficente, mas não a igreja", afirmou. Ao reforçar o apelo à religiosidade, o novo papa citou uma frase dura do escritor francês Léon Bloy (1846-1917): "Quem não reza ao Senhor reza ao diabo". "Quando não se confessa Jesus Cristo, se confessa o mundanismo do diabo, do demônio", disse Francisco. Em seguida, ele afirmou que não adianta ocupar altos cargos na hierarquia da igreja caso se vire as costas à cruz. A mensagem foi recebida como um aviso de que os religiosos devem zelar pela coerência entre o que pregam e o que fazem na vida diária. "Quando caminhamos sem a cruz, construímos sem a cruz e confessamos um Cristo sem a cruz, não somos discípulos do Senhor. Somos mundanos, somos bispos, padres, cardeais, papas, mas não discípulos do Senhor", disse, após instar os cardeais a "viver com a irrepreensibilidade que Deus pediu a Abraão". A mudança de estilo começou a ser notada pouco depois da eleição secreta, dentro do Vaticano. Assim que o conclave terminou, ele surpreendeu os cardeais ao permanecer de pé para receber os cumprimentos, em vez de se sentar no trono de pontífice. Na saída, recusou a limusine e voltou no ônibus que havia levado os eleitores à Capela Sistina. Mais tarde, na janela da Basílica de São Pedro, Francisco apareceu para o povo com uma veste branca simples e sem a capa vermelha e a estola dos papas. Também trocou o crucifixo de ouro, símbolo da opulência da igreja, pela cruz de prata que já usava nos tempos de bispo. Ao saudar os fiéis como bispo de Roma, pediu que rezassem por ele antes de conceder a bênção apostólica. De volta à roda dos cardeais, Francisco foi homenageado com um jantar e brincou com os colegas, após o brinde: "Deus os perdoe pelo que vocês fizeram", disse, em tom bem-humorado. Ontem, o papa chamou a atenção por quebrar o protocolo. De manhã, foi à Basílica de Santa Maria Maior sem carro oficial e fez uma visita surpresa ao hotel religioso onde ficou hospedado antes do conclave. Buscou suas malas, saudou os funcionários e fez questão de pagar a conta. (Folha Coturno Noturno)